Mais dinheiro, com menos resultados

Mais dinheiro, com menos resultados

postado em 01/08/2016 00:00


Pesquisador do Centro de Estudo de Atletismo, Fernando Franco culpa o baixo rendimento do Brasil ao comodismo do índice em detrimento de um maior aperfeiçoamento. ;A meta daqui é apenas o índice, mas que não dá chance alguma de ir a uma final;, crava.

Os números respaldam a afirmação. Vários atletas conquistaram um tempo bem próximo ou idêntico ao classificatório, mas nenhum deles com possibilidade de alcançar o pódio. Nos 800m, por exemplo, o recorde brasileiro é do brasiliense Joaquim Cruz e está intacto há 32 anos. Ele obteve seus melhores tempos em 1984, logo após conquistar o ouro nos Jogos de Los Angeles. Na época, fez 1min41s77. Em 2012, Fabiano Peçanha ficou na marca de 1min46s29, suficiente apenas para as semifinais. Todos os finalistas ficaram abaixo de 1min43s. Para a Rio-2016, Kleberson Davide e Lutimar Abreu, representantes nesta temporada, obtiveram tempo de 1min45s.

Não é por falta de dinheiro que o Brasil não avança no atletismo. Fernando Franco apresentou um levantamento do antes e do depois da Lei Agnelo/Piva. Ele aponta investimento do Ministério do Esporte de mais de R$ 130 milhões na Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). ;Entre 1995 e 2000, houve uma pequena evolução. Depois de 2001, os gráficos estão paralelos. Não tínhamos verba, mas o Robson Caetano foi finalista. Hoje, temos e não conseguimos uma final;, lamenta o pesquisador.

A CBAt se defende. Superintendente de Alto Rendimento, Antonio Carlos Gomes destaca que um dos principais problemas é integrar o futuro atleta. De acordo com ele, há dificuldade de acesso a ambientes escolares e é complicado para o jovem entrar num clube de iniciação. Além disso, na opinião do dirigente, faltam programas de seleção para direcionar os candidatos a competidores e uma política esportiva capaz de promover o jovem ao esporte. Apesar disso, Gomes frisa: ;Estaremos com a maior delegação de todos os tempos, mesmo sem cobrirmos todas as provas;.

O dirigente acredita que vários brasileiros serão finalistas na Rio. ;É difícil fazer um prognóstico de medalhas, mas temos algumas provas com destaque, como marcha atlética (feminino e masculino), salto com vara, salto em distância (masculino), maratona e revezamentos;, avalia.

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