Receio com relações futuras

Receio com relações futuras

postado em 01/08/2016 00:00
 (foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)




O perigo de reprodução da violência e do medo de serem vítimas no futuro é real. Tal pensamento, segundo a professora Suely Sales Guimarães, do Centro de Atendimento e Estudos Psicológicos (Caep), da UnB, pode comprometer as relações de qualquer criança. ;É um grande engano achar que porque é criança não entende, que vai esquecer e vai passar, que não precisa de assistência e é melhor não falar, não mexer na história;, afirma Suely. Ela explica que as crianças são impactadas por diferentes aspectos. No sensorial, por exemplo, elas ouvem os gritos, as ameaças, os xingamentos, os pedidos de ajuda, o choro; tudo muito diferente do que está acostumada.

Ao viver cenas como as descritas e, na sequência, o auge da violência, com a morte da mãe, a criança é duplamente vitimizada. ;Passará o resto da vida sem a mãe. E sem o pai, se foi ele quem matou, porque vai fugir ou será preso. A família será desfeita e o menor vai virar aquele cuja mãe morreu daquela forma;, indica Suely. Com tantos sentimentos para administrar, o pequeno pode demonstrar de muitas formas: voltar a fazer xixi na cama, ter problemas no aprendizado, faltar aulas, ficar mais agressivo e se distanciar das relações de amizade. ;Por isso, é necessário assistência imediata e a longo prazo. E não só para a criança, mas também para quem vai cuidar dela;, aconselha a especialista.

*Nomes fictícios em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente



Para saber mais

A campanha

O dia 25 de cada mês foi definido pelas Nações Unidas como o Dia Laranja. Data em que, em todo o mundo, as agências da entidade e as organizações da sociedade civil promovem atividades para dar mais visibilidade às questões que envolvem a prevenção e a eliminação da violência contra mulheres e meninas. No Distrito Federal, o Dia Laranja teve lançamento oficial em 25 de março de 2016, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). Desde então, o Correio entrou na campanha para dar um basta na violência contra a mulher. Todo dia 25, o jornal traz uma matéria sobre o tema.



Memória

4 de janeiro

Uma criança de 9 anos viu a mãe ser esfaqueada, dentro de casa, em Ceilândia. Yasmim*, de 34 anos, não resistiu aos ferimentos. O padrasto foi o autor do crime. Além de matar a mãe, o criminoso feriu a criança. O menino foi socorrido pelo Samu e levado ao Hospital Regional de Ceilândia, onde recebeu atendimento e acabou liberado.

4 de abril
Duas crianças ; uma de 3 anos e outra de 1 ano e seis meses de idade ; presenciaram a morte da mãe, em Santa Maria. O crime ocorreu na casa onde moravam, no Condomínio Total Ville. Artêmis*, 24 anos, foi morta com quatro golpes de faca pelo marido e pai das crianças. Os dois estavam juntos há cerca de cinco anos. A guarda dos filhos será decidida pela Justiça.

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