Entrevista / Kiko Loureiro

Entrevista / Kiko Loureiro

postado em 01/08/2016 00:00
 (foto: Alex Solca/Divulgação-3/7/13)
(foto: Alex Solca/Divulgação-3/7/13)


Como tem sido a recepção dos fãs europeus a sua presença na banda?
Eu já havia feito shows com o Megadeth no ano passado. Fomos para lugares como China, Japão, Índia e diversos lugares na Europa, além de Estados Unidos. Tive contato com muitos fãs do Megadeth em diversos lugares do mundo. A recepção tem sido ótima, só tenho visto comentários positivos. Claro, o Marty Friedman (antigo guitarrista do Megadeth) é imbatível, ele mora no coração dos fãs da banda até hoje. Claro que sempre tem cara que não gosta, aquele pessoa que não aceita bem mudanças em banda, e eu entendo isso. Porém, no geral, tem rolado uma boa aceitação.

Como você compararia as semelhanças e diferenças em uma turnê mundial com o Angra e com o Megadeth?
O Megadeth, digamos, consegue postos melhores nos festivais. Sempre perto da banda principal, se não for até a banda principal. O Angra, nos festivais europeus, tocaria no meio da tarde, ou até em outro palco, o que é natural. Outra diferença é que o Megadeth consegue tocar em qualquer lugar com uma estrutura mínima, porém de boa qualidade. Já o Angra, de repente, faria alguns shows no Brasil bons, outros em cidades menores e mais distantes, com uma estrutura e uma equipe mais enxuta. O que, novamente, é normal para uma banda desse porte. No verão europeu, é comum para uma banda fazer grandes festivais e shows menores para não ficar parada uma semana inteira. Nesses shows, o Megadeth se dá ao luxo de manter o padrão, a mesma equipe, onde quer que seja. Dois caminhões viajam com a gente, dois ônibus com a equipe e banda inteira. Essa é uma grande diferença em se manter o mínimo, mas com qualidade sempre.

Da última vez que conversamos, você falou sobre a liderança do Dave Mustaine em estúdio. E na estrada? Como é a convivência?
Na estrada tem aquela questão da intimidade, porque tem o clima de tocar ao vivo, é um pouco diferente. Como eu já viajei muito nesse tipo de esquema, ônibus, avião, hotel, etc., algo que eu noto é que, com o Angra, nós nos deslocávamos em um ônibus que era equipe e banda juntos. Com o Megadeth, nós temos um ônibus gigante só para a banda, tipo, quatro caras. Estou até com minha mulher e minha filha, porque tem espaço e cama suficientes, sobrando. Em qualquer outra banda, estariam todos no mesmo ônibus. Então, aqui tem o lance de conviver o dia inteiro. No estúdio, você tá em um ambiente fechado, hermético, com aquela pressão da repetição, de fazer tudo certinho. Em um show, com aquela galera, é outro clima, né? Mas assim, o comportamento pessoal é o mesmo. E com o resto da banda, idem.

Com presença brasileira no Megadeth, já conversaram sobre possíveis ;homenagens;, mudanças no setlist?
O show que estamos fazendo é da turnê Dystopia. Ele já está ensaiado com a equipe, sincronizado com vídeos, luz afinada. Muitas mudanças requerem novos ensaios e estamos no meio da turnê. Eu sei que vamos passar pelo Brasil e que eu sou brasileiro, mas é complicado ter alguma homenagem. E essa não é uma prática muito comum para falar a verdade. É super normal, por exemplo, uma banda finlandesa ter um músico sueco, ou alemão, e nem por isso há a necessidade de ficar toda hora criando alguma coisa diferente por causa das nacionalidades. Então, não sei. Até o momento não conversamos a respeito. Claro que meu comportamento com a mídia será diferente do que eu normalmente faço, mas, em relação ao show, não sei ao certo o que pode acontecer.

Qual a sua opinião sobre a evolução do metal pelo mundo, tanto da parte das bandas, como do comportamento e preferência
dos fãs?

Temos várias bandas clássicas firmes e fortes, como o próprio Megadeth, Slayer, Iron Maiden e o Black Sabbath fazendo grandes shows e mantendo um alto nível. Outras já perderam um pouco o pique. Sobre as bandas novas, fizemos excelentes shows com grupos como Rammstein, Disturbed e 6am, banda do Nikk Sixx e do DJ Ashba, ex-Guns n; Roses, caras que já tocaram em grandes estádios e agora estão recomeçando, digamos assim, com uma proposta diferente. Quanto aos fãs, eu percebi, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, que a faixa etária é bem mais ampla. Tem desde o cara que é das antigas, cinquentão, ainda cabeludo e de jaqueta de couro, junto com os mais jovens, a família, etc. No Brasil, eu sinto isso menos, é mais uma galera jovem, até os 35 anos. Depois, o cara parece que muda de estilo de vida e vai menos aos shows. Isso é uma observação apenas, de uma forma geral, algo que eu sempre achei interessante. Além disso, a internet também foi fundamental para mudar o comportamento dos fãs, a forma de interagir, com fotos e selfies. Saber a opinião do fã sobre o show assim que você sai do palco.

E o futuro, tanto em termos de Angra, carreira solo e Megadeth, quais são os planos?
Ano passado, eu consegui fazer a agenda Angra e Megadeth, porque só gravamos o disco e não teve muito show. Esse ano, tá impossível. De meio de fevereiro até fim de outubro, quase não vai ter pausa. Ta sendo difícil até ficar com a família. Por isso, carreira solo ou Angra, está bem complicado no momento. No meu tempo livre, o que eu consegui fazer foi completar meu curso. É online e tem quase 40 horas. É algo que eu gosto e dá para fazer enquanto eu estou viajando. Tive esse dedicação porque, hoje em dia, eu tenho plena consciência de que esses conhecimentos funcionam e é uma forma de motivar e ensinar as pessoas a conquistar o sonho de viver de música.

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