Nova York sob tensão

Nova York sob tensão

Três dias antes do início da Assembleia Geral da ONU, bomba explode em bairro movimentado do estado americano. Governador fala em terrorismo local, mas outros dois ataques, no mesmo dia, no país, reforçam suspeitas de ligações externas

postado em 19/09/2016 00:00
 (foto: Drew Angerer/Getty/AFP)
(foto: Drew Angerer/Getty/AFP)


Às vésperas da abertura da 71; Assembleia Geral das Nações Unidas, explosões de bombas em Nova York e em Nova Jersey e um ataque com faca em Minnesota colocaram em alerta os serviços de segurança dos Estados Unidos. À expectativa para a chegada de chefes de Estado e de governo ; são esperados mais de 200 ; somou-se um clima de tensão em torno de possíveis motivações terroristas nos ataques. Autoridades reforçaram o esquema de segurança em Nova York, palco do encontro internacional com abertura oficial prevista para amanhã, ao mesmo tempo em que investigam as ações que aconteceram praticamente no mesmo horário, na noite de sábado, e feriram, sem gravidade, 38 pessoas (29 em Nova York e nove em Minnesota).

Embora não tenham sido encontrado indícios de conexões com grupos extremistas internacionais, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, classificou o episódio como um ;ato terrorista;. ;O estouro de uma bomba em Nova York é obviamente um ato terrorista, mas esse ataque não está vinculado ao terrorismo internacional. Quer dizer, não encontramos conexões com o grupo Estado Islâmico;, disse. Além de coincidir com os preparativos para o encontro anual da ONU, o incidente, que feriu 29 pessoas, ocorreu uma semana depois das solenidades que lembraram os 15 anos dos atentados de 11 de setembro.

O esquema de segurança para a Assembleia Geral das Nações Unidas foi revisado. O governo do estado ordenou o auxílio de mil homens das forças estaduais e da Guarda Nacional. ;Esse é um cenário de pesadelo. Somos muito sortudos de não ter havido fatalidades;, observou Cuomo. ;Quem quer que tenha colocado essas bombas, nós vamos encontrá-los e levá-los à Justiça;.

Gravações
Até o fechamento da edição, nenhum grupo ou indivíduo havia reivindicado a autoria do ataque em Nova York. A ação ocorreu na rua 23 do bairro Chelsea, em Manhattan, em frente a um prédio que oferece serviços para cegos. A explosão aconteceu por volta das 20h30 (23h30 de Brasília) e um segundo dispositivo foi encontrado e desarmado a poucas quadras do incidente, na rua 27. O material está em análise na perícia, assim como imagens registradas por câmeras de segurança da região. Um dos equipamentos da vizinhança gravou um homem deixando uma maleta na calçada em que segunda bomba foi encontrada. Em seguida, outros dois esvaziaram a mala e a levaram embora.

Autoridades suspeitam que uma das pessoas filmadas tenha aparecido em gravações nos dois pontos em que explosivos foram deixados. Segundo o jornal The New York Times, uma ;pessoa de interesse; foi identificada, mas a polícia não de referiu ao indivíduo como suspeito. As duas bombas encontradas em Nova York foram construídas com panelas de pressão, que estavam repletas de estilhaços de metal e telefone celular ; mecanismo semelhante ao usado pelos irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, autores do atentado contra a maratona de Boston, em 2013.

Fontes ligadas à investigação do caso relataram à rede de televisão NBC News que o dispositivo usado na detonação estava conectado a um aparelho antigo, com flip, similar ao encontrado no local da explosão da bomba improvisada em um tubo e que detonou em Nova Jersey, 11 horas antes do caso em Manhattan. Esse primeiro ataque também não tinha sido reivindicado até a noite de ontem.

Apesar de as autoridades inicialmente terem afirmado que não havia indício de conexão entre os dois incidentes, a pista levantou preocupação sobre possíveis vínculos entre os casos. O artefato detonado em Nova Jersey foi colocado em uma lixeira, no local por onde passaria uma corrida de rua para arrecadar fundos para militares americanos. Graças ao atraso na largada do evento, ninguém se feriu.

A divulgação de um manifesto on-line de alguém reivindicando a responsabilidade pelo atentado e um chamado aos serviços de emergência dos EUA feito por uma pessoa que alertava sobre a ocorrência de novos ataques também são investigado, mas a veracidade das mensagens ainda não foi confirmada.

Pânico
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, nenhum brasileiro foi identificado entre os feridos. Todos os afetados no incidente receberam alta médica ontem. No momento da explosão em Nova York, centenas de pessoas fugiram da região e, em seguida, a polícia isolou o local. Testemunhas relataram que a bomba detonou dentro de um contêiner de lixo alocado na calçada. O impacto da explosão quebrou vidraças e danificou carros.

Um dos bairros mais sofisticados de Manhattan, o Chelsea é repleto de bares, restaurantes e lojas. ;Tudo o que eu vi foi uma grande luz e ouvi a explosão. Eu pude senti-la no meu peito e levou uma hora e meia para que eu pudesse escutar algo de novo;, contou o morador Sam Smith à rede de televisão CNN.

"O estouro de uma bomba em Nova York é obviamente um ato terrorista, mas esse ataque não está vinculado ao terrorismo internacional. Quer dizer, não encontramos conexões com o grupo Estado Islâmico"
Andrew Cuomo, governador de Nova York

Obama terá reuniões extras
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se reunirá, na quarta-feira, com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas. O encontro acontece depois de os dois países firmarem um acordo de assistência militar no valor de US$ 38 bilhões para o período entre 2019 e 2028. Segundo Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca, a reunião permitirá que os líderes destaquem ;os fortes laços; entre seus países e será uma oportunidade para abordar a necessidade de ;verdadeiros avanços; em direção a uma solução de dois Estados no conflito entre israelenses e palestinos. Obama também terá conversas bilaterais com o primeiro-ministro do Iraque, Haider Al-Abadi, o presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, e o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.

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