Civilização e barbárie

Civilização e barbárie

postado em 19/09/2016 00:00
 (foto: Paulo de Araújo/CB/D.A Press - 4/10/11)
(foto: Paulo de Araújo/CB/D.A Press - 4/10/11)



A conferência Civilização e barbárie, com Nelson Brignotto, abre o ciclo Entre dois mundos: 30 anos de experiências do pensamento, coordenado por Adauto Novaes, hoje, às 19h, na Embaixada da França (Av. das Nações Q.801, Lt. 4). O ciclo prossegue amanhã, com A condição humana, por Pedro Duarte. Na quarta-feira, Francisco Bosco fala sobre o tema O homem máquina. No dia 28, Vladimir Safatle discorre sobre Vida vício e virtude. No dia 29, será a vez de José Miguel Wisnik evocar os Poetas que pensaram o mundo. Oswaldo Giacoia encerra o ciclo das mutações em Brasília com a palestra A crise da razão.

Nelson Bignotto recorre a um texto em que o filósofo francês Jean Starobinski evoca um conto de Jorge Luis Borges, intitulado História do guerreiro e da cativa. Borges coloca em cena a figura de um bárbaro e de uma inglesa. Enredados em uma situação insólita, os dois personagens mudam de lado. Encantado com as belezas de Ravena, ele se torna civilizado; enquanto isso, a jovem inglesa bem-educada, raptada por selvagens da América Latina, se converte aos seus costumes e se torna um deles.

Idênticos

Borges conclui: ;As histórias que contei são talvez uma só história. A face e o reverso da medalha são, por Deus, idênticos;. O fecho é inquietante, pois questiona as fronteiras entre o civilizado e o bárbaro: ;A oposição da civilização e da barbárie se resolve em um quietismo desesperado. Isso não o conduz a renegar a civilização, mas a reconhecer que ela é inseparável de seu inverso;.

Bignotto usa esse mesmo ponto de partida, mas para fazer uma reflexão que incide sobre uma nova forma de barbárie. E, para delinear o novo cenário, ele cita o poeta Paul Valéry, que dizia: ;O mundo que dá o nome de progresso à sua tendência a uma precisão fatal busca unir as benesses da vida às vantagens da morte. Certa confusão reina ainda; mas em pouco tempo tudo se esclarecerá e veremos enfim surgir o milagre de uma sociedade animal, um perfeito e definitivo formigueiro;.

No formigueiro, as concepções de civilização e barbárie se embaralham, de maneira semelhante ao que aconteceu no conto de Borges. ;Deixando de lado o sonho do progresso, partimos em uma corrida sem objetivos, na qual só conta a velocidade e a anulação da vida e das relações sociais ao final;, comenta Bignotto. ;O que parece descrever essa nova barbárie na qual estamos é a infiltração da violência em todos os poros de nossa vida em comum. Das guerras infernais aos recônditos da intimidade, tudo parece estar ameaçado pela falta de sentido e pela aceleração;.


Ciclo Mutações Entre dois mundos


Newton Bignotto
Civilização e barbárie, hoje

Pedro Duarte

A condição humana, amanhã

Francisco Bosco
O homem máquina,
quarta-feira

Vladimir Safatle
Vida vício virtude, 28/9

José Miguel Wisnik
Poetas que pensaram
o mundo, 29/9

Oswaldo Giacoia
A crise da razão, 30/9

Local: Embaixada da França (Avenida das Nações Q.801, Lt. 4).
Horário: 19h

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