Reação sindical preocupa Planalto

Reação sindical preocupa Planalto

» CELIA PERRONE
postado em 07/10/2016 00:00

O presidente Michel Temer recebeu oficialmente ontem o projeto da reforma da Previdência e afirmou que os estudos serão concluídos em até duas semanas, para serem enviados ao Congresso. Antes disso, Temer pretende obter o aval das centrais sindicais e ter mais uma conversa com os parlamentares. No entanto, a discussão da reforma com as centrais provoca receio na cúpula do governo, que, por isso, já adiou mais de uma vez o encontro nesta semana: na segunda-feira, por causa da viagem relâmpago do presidente à Argentina e ao Paraguai; na terça, porque nem todas as centrais haviam sido convidadas. O ministro Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, chegou a marcar uma reunião para ontem, mas resolveu transferi-la para a próxima terça-feira, véspera de feriado.

O principal motivo de tantas idas e vindas é o receio da reação das centrais ao projeto. Os sindicatos criticam, principalmente, a fixação de idade mínima de 65 para a aposentadoria ; o único ponto de consenso no próprio governo. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, afirmou que o Planalto precisa debater as regras com calma. ;Se tiver pressa, não sai. A Força não apoia aumento da idade para quem já está no mercado de trabalho;, salientou. Já Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), reclamou que até ontem nunca havia sido convidado a debater a reforma. Ele disse que é contra todos os pontos. ;Os 65 anos e o aumento do tempo mínimo de contribuição, de 15 para 25 anos, são inadmissíveis;, criticou.

O presidente da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Sérgio Ronaldo, afirmou que a entidade será representada pela CUT no encontro, mas já encaminhou o recado que pretende dar ao governo. ;Somos contra o aumento de alíquota para o servidor público e o aumento da idade. Nos últimos 20 anos, já tivemos quatro reformas porque as contas não fecham. É muita incompetência;, protestou. Ontem o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que a reforma será enviada ao Congresso ainda em outubro, antes do segundo turno das eleições municioais. A intenção do governo é que a reforma passe pela comissão especial da Câmara ainda este ano e seja votada na primeira semana de fevereiro de 2017.

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