PT letárgico

PT letárgico

PAULO DE TARSO LYRA paulodetarso.df@dabr.com.br
postado em 07/10/2016 00:00

O partido que já se orgulhou de ter apresentado soluções administrativas nas prefeituras que governou ; e até no governo federal ; perdeu a capacidade de responder às próprias perguntas. A surra que o PT levou no primeiro turno, no último domingo, acelerou a necessidade de mudanças. O grave é que a legenda dá sinais claros de que não sabe o que fazer.

O discurso do golpe não rendeu frutos e o sindical virou vintage. O partido envelheceu com seu principal líder, Lula, ou amarrado a ele. A vitória de João Doria para a prefeitura de São Paulo, em primeiro turno, foi cruel por estes dois aspectos. Lula pegou Fernando Haddad pela mão para levar à periferia, onde ele, enquanto prefeito, não costumava ir. As classes D e E viram ambos juntos, com a estrela vermelha que lhes é familiar, e votaram no tucano Doria.

Morreu o passado do líder sindical que tem capacidade mágica de encantar as classes mais humildes e morreu um nome que, bem ou mal, poderia representar um sopro de futuro para a legenda. Petistas e não petistas admitem que se Haddad não fosse do PT, talvez tivesse sido reeleito. Pagou o preço amargo do desgaste da Lava-Jato. Mas também não foi capaz de animar internamente a militância. Pena.

O PT cansou de Rui Falcão como presidente. Vai antecipar o término do mandato dele. Mais drama e dúvida. Primeiro, porque a tão elogiada democracia interna poderá ser sepultada, já que há quem defenda que a nova direção partidária seja eleita no Congresso do partido, marcado para fevereiro. Não mais por eleição direta com os filiados.

E depois, quem assume esse partido? Lula não quer, não deve e não pode, tem que se preocupar com Sérgio Moro. Jaques Wagner é o nome preferido, mas a operação da Polícia Federal que arranha o governador da Bahia, Rui Costa, respinga e muito em Wagner. Lindbergh Farias (PT-RJ) não é unanimidade nem na bancada e Humberto Costa (PT-PE), está em um estado onde o PT não respira nem por aparelhos. Fora que os dois últimos precisam pensar na reeleição em 2018. Além disso, tem a velocidade. O PT precisa apresentar resultados logo, para não passar a imagem de letargia. Não está fácil a vida petista.

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