Mais desigualdade no Lago Norte

Mais desigualdade no Lago Norte

postado em 07/10/2016 00:00
; ALESSANDRA AZEVEDO
; PRISCILA BOTELHO
Especiais para o Correio

Ampliou a desigualdade social no Lago Norte, segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (Pdad) divulgada ontem pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). De acordo com o levantamento, o número de moradores da região administrativa passou de 33,5 mil para 37,5 mil nos últimos cinco anos. O aumento populacional, no entanto, foi seguido pela queda na renda e no aumento no índice de concentração de riquezas.

Mais da metade dos moradores do Lago Norte (50,8%) tem entre 25 e 59 anos, o que significa que a maioria está em idade economicamente ativa. O rendimento médio mensal, entretanto, caiu de R$ 6,8 mil por habitante, em 2011, para R$ 4,7 mil, este ano. Nos domicílios, a renda média baixou de R$ 19,8 mil para R$ 12,6 mil. As quedas são justificadas pela ocupação mais intensa em locais como o Centro de Atividades (CA) e o Setor Taquari, que atraem um perfil diferente do tradicional para a região. ;Em geral, têm entrado pessoas de renda um pouco menor. Isso aprofunda a desigualdade;, explica o diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Codeplan, Bruno Cruz.

O diagnóstico dele é comprovado pelo coeficiente de Gini, que mede o nível de concentração de renda. O índice subiu de 0,349 para 0,450 entre 2011 e 2016. Quanto maior, mais desigualdade social no lugar. Outro fator que piora o quadro, na opinião do administrador do Lago Norte, Marcos Woortmann, é a grande quantidade de condomínios irregulares. Cerca de 15% dos domicílios do Lago Norte estão em área ilegal, segundo a Codeplan, ou seja, há, em média, 1,8 mil invasões e setores habitacionais em terrenos não regularizados.

Trânsito
O número de moradores que se deslocam para o serviço no Plano Piloto caiu de 11,8 mil para 11,3 mil nos últimos três anos, e a proporção de domicílios com carros passou de 92,6% para 90%. Embora estejam interligados, os dois fatos não se devem ao crescimento dos postos de trabalho no Lago Norte, mas à queda na qualificação da mão de obra. ;Geralmente, os empregados mais especializados trabalham no Plano Piloto, enquanto os de renda mais baixa têm empregos no Lago Norte. Os números mostram um aumento desse segundo perfil;, explica Bruno Cruz, da Codeplan.

A variação, no entanto, não consegue conter o tráfego na região, cada vez mais intenso. Moradora do CA, Maria Iara Pereira, 54 anos, reclama da lentidão para chegar ao Plano Piloto, onde trabalha. ;O Lago Norte é limpo, organizado, seguro e tem um comércio atrativo. O único problema é o trânsito na via principal, que é muito congestionado;, queixa-se.

Formada em biblioteconomia e com duas pós-graduações, Maria Iara faz parte dos 56% dos moradores com ensino superior completo. Apesar de ser o segundo melhor índice entre as regiões administrativas até o momento, o nível educacional tem caído desde 2011. Cinco anos atrás, 63,2% da população do Lago Norte tinha diploma. Os ensinos infantil e médio, no entanto, continuam com bons resultados: todas as crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos que moram Na localidade frequentam a escola.


Universidade

O Lago Norte perde apenas para o Sudoeste e a Octogonal (64,5%) em relação a moradores com ensino superior completo. A Codeplan ainda não divulgou os levantamentos do Plano Piloto e do Lago Sul



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