Particulares em alta

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Distrito Federal tem, para cada aluno matriculado na rede pública de educação, 4,14 estudantes em uma unidade particular. Especialista critica a falta de universidades públicas em Brasília: %u201CPrecisamos de políticas fortalecimento da educação superior%u201D

» ISA STACCIARINI
postado em 07/10/2016 00:00
O número de alunos matriculados em cursos de graduação em redes privadas do Distrito Federal supera a média do Brasil. Enquanto a nível nacional há para cada universitário matriculado na rede pública há 2,6 alunos em uma unidade particular, na capital federal são 4,14 estudantes em instituições privadas para cada um na pública. O DF só fica atrás de São Paulo. Os dados são do Censo da Educação Superior de 2015, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

No DF, três unidades de ensino superior são públicas: a Universidade de Brasília (UnB); a Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs); e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB). Ao todo, 186.175 alunos estão matriculados na graduação presencial em Brasília. Do total, 149.910 estão na rede privada e 36.205 na pública. É o caso de Lukas de Andrade, 20 anos. Ele fez pré-vestibular e se dedicou à UnB, para o curso de Ciências Biológicas. Na época, investiu no Programa de Avaliação Seriada (PAS) e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Mesmo com boas notas, não conseguiu entrar. ;Vim de colégio público, então tentei por cota, mas existiam apenas seis vagas para o curso que eu queria, o que dificultava bastante;, conta.

Após não ter sucesso nos três processos seletivos, Lukas optou por uma instituição privada. E não se arrepende. ;Na época, eu sentia muita pressão, pessoal e da família. Então, eu fiz o vestibular para a Católica e consegui o Fies. Hoje, não acho que perdi muita coisa. Nos laboratórios, por exemplo, temos um equipamento por aluno, enquanto na UnB eles têm que dividir o telescópio em grupos ;, explica. Segundo ele, a única desvantagem é a falta do peso que uma federal tem. ;Projetos de extensão são bem mais valorizados se vindos de universidades federais;, acredita.

A pós-doutora em Política Educacional Ranilce Guimarães Iosif acredita que incentivo ao acesso ao ensino superior, que aumentaram nos últimos 15 anos, ajudaram o brasileiro de classe média a adentrar faculdades e universidades. Porém, a crise política e o corte de verbas para educação em 2015, seriam os responsáveis pela queda nos dados do Inep no último ano. ;Em outros estados, além das federais, o governo cria instituições estaduais para que o acesso a universidades públicas se torne mais fácil. Aqui em Brasília, essa conscientização ainda não foi criada. Precisamos de políticas públicas distritais voltadas para o fortalecimento da educação superior pública no DF, explica.





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