Banco do Brasil

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Órgão regulador do mercado de capitais cobra informações sobre redução do quadro de funcionários. Banco diz que estuda alterativas para melhorar eficiência operacional, mas não tomou decisão sobre PDV

» ANTONIO TEMÓTEO
postado em 15/10/2016 00:00
 (foto: BB/Divulgação - 15/3/13)
(foto: BB/Divulgação - 15/3/13)


Os rumores de que o Banco do Brasil (BB) deve iniciar um plano de demissões voluntárias ou um programa de incentivos à aposentadoria levaram a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais, a cobrar da instituição financeira explicações sobre as duas possibilidades. As informações têm afetado a negociação das ações do BB na bolsa. Em resposta, a estatal informou que não há decisão sobre a realização de um Plano de Demissões Voluntárias (PDV) e que avalia constantemente alternativas de melhora da a eficiência operacional.

Enquanto o BB ainda define como conduzirá o processo, empregados do banco estão de olho nas vantagens que serão oferecidas para quem for se aposentar ou pedir demissão. Alguns alertam que o último PDV feito pela instituição deixou cicatrizes, pois muitos funcionários que aderiram ao programa não souberam administrar os recursos recebidos e tiveram queda significativa na renda. Desde então, a estatal tem preferido adotar planos de incentivo à aposentadoria. Dessa forma, os empregados garantem benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), da Previ, o fundo de pensão do BB, e ainda podem receber alguns salários de bônus.

Despesas


Dos 109,6 mil empregados do BB, pelo menos 12 mil já atendem os requisitos para solicitar a aposentaria complementar da Previ. Outros 6 mil estarão em condições em até quatro anos. São comuns os casos de empregados que já são beneficiários do INSS, mas se mantêm na ativa para turbinar a renda com os ganhos do fundo de pensão quando se desligarem do banco. Outros já atendem os requisitos para solicitar a aposentadoria da Previ, mas não possuem o tempo de contribuição ao INSS para fugir do fator previdenciário e, por isso, continuam trabalhando. E há também aqueles que têm adiado ou cancelado a aposentadoria de olho nos incentivos que a estatal oferecerá em um possível plano para reduzir custos.

O BB pretende reduzir as despesas com salários e encargos para aumentar a rentabilidade. A instituição gasta com a folha de pagamento pelo menos R$ 3 bilhões a mais que os concorrentes diretos. No primeiro semestre de 2016, o desembolso com salários e encargos somou R$ 9,3 bilhões. No mesmo período, essas mesmas rubricas custaram R$ 6,5 bilhões ao Bradesco e R$ 5,8 bilhões ao Itaú Unibanco. A diferença tem afetado a rentabilidade da estatal em relação ao patrimônio, segundo técnicos que preferiram o anonimato.

Os planos do BB, no entanto, podem esbarar na resistência dos sindicatos. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) avaliou que o enxugamento do número de funcionários é prejudicial para a instituição financeira. A entidade destacou que a não reposição de vagas de aposentados piora as condições de trabalho de quem fica. Além disso, a Contraf entende que o BB faz políticas públicas e, por isso, não pode querer o mesmo nível de rentabilidade dos concorrentes.

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