Mercado dividido sobre juros

Mercado dividido sobre juros

A maior parte dos analistas aposta que o Banco Central vai reduzir a Selic na reunião que começa hoje, mas não há consenso sobre a intensidade da queda, se de 0,25 ou de 0,50 ponto percentual. Uma parcela menor acredita em manutenção da taxa

» ANTONIO TEMÓTEO
postado em 18/10/2016 00:00

A maior parte do mercado aposta que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzirá os juros na reunião que começa hoje e termina amanhã, mas não chegou a um consenso sobre o tamanho do corte. Os analistas estão divididos entre redução de 0,25 e de 0,50 ponto percentual na taxa básica. Uma parcela menor, por sua vez, espera que o BC mantenha a Selic em 14,25% ao ano, diante das incertezas em relação à aprovação do ajuste fiscal no Congresso e ao ritmo de queda da inflação.

A mediana das expectativas do mercado, conforme o boletim Focus divulgado ontem, indica que a taxa terminará 2016 em 13,50%, após duas reduções, uma de 0,25 e outra de 0,50 ponto percentual. E, mesmo com a expectativa de queda de juros, as estimativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) continuam em baixa. Os analistas avaliaram que a inflação será de 7,01% em 2016 e de 5,04% em 2017.

Apesar disso, as previsões de queda do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano pioraram, passando de 3,15% para 3,19%. Diante da expectativa de uma economia mais fraca, a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, avalia que o BC deve promover um corte de 0,5 ponto percentual na Selic. Ela destacou que a autoridade monetária seria conservadora se reduzisse a taxa em apenas 0,25 ponto. ;Isso se justificaria em um cenário incerto de reformas e se o BC não tivesse credibilidade. Não é o caso. As expectativas para a inflação continuam a cair, mesmo com a sinalização de juros mais baixos;, destacou.

A aposta de queda de 0,5 ponto percentual da Selic é compartilhada pela economista-chefe da CM Capital Markets, Camila Abdelmalack. Ela explicou que o país mantém uma taxa de juros real enorme em meio à recessão. E destacou que há uma janela de oportunidades com o avanço do ajuste fiscal no Congresso, a queda nos preços de alimentos e a desaceleração do custo de vida. ;Em novembro, deve haver novo corte de 0,5 ponto percentual e terminaríamos o ano com a Selic em 13,25%. Essa seria uma boa sinalização para o mercado, mesmo sabendo que teremos discussões mais difíceis com a reforma da Previdência;, comentou.

Incertezas


Apesar dos avanços das condições para o corte de juros, os analistas do Banco do Brasil Hamilton Moreira Alves e Rafael Reis apostam em queda de apenas 0,25 ponto percentual. ;Ainda nos posicionamos com certo ceticismo quanto a um eventual corte de 50 pontos-base e, portanto, projetamos um movimento mais parcimonioso do Copom, entendendo ser mais plausível uma redução da Selic em 25 pontos-base, baixando a taxa para 14% ao ano;, destacaram, em relatório dirigido ao mercado.

Os desafios do governo para aprovar o ajuste fiscal e a inflação pressionada no curto prazo levaram a Tendências Consultoria a prever que o BC manterá os juros em 14,25%. ;Temos incertezas fiscais e a autoridade monetária não pode passar a mensagem, sobretudo para a classe política, de que está tudo resolvido e que os juros vão despencar;, comentou o economista Silvio Campos Neto. Ele lembrou que o país ainda tem desafios enormes, sobretudo para aprovação da reforma da Previdência, e destacou que o BC não pode adotar um tom muito festivo. ;A arrumação da casa está só no começo;, alertou.

  • Pendência no Galeão

    Após reunião ontem com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o presidente da concessionária Rio Galeão, Luiz Rocha, afirmou que o grupo que controla o aeroporto carioca busca novos parceiros para uma eventual saída da Odebrecht do negócio. ;Existe sempre a possibilidade de buscar novos sócios. Estamos conversando com alguns;, disse. Também participaram do encontro representantes do aeroporto Changi, de Cingapura, que faz parte do bloco de controle do terminal. Rocha disse que conversou com o ministro sobre o pagamento da parcela de R$ 930 milhões da outorga, vencida em abril deste ano. A ideia é quitar o débito até o fim do ano. Ele busca um financiamento de R$ 1,5 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


  • Dívida estável

    A dívida pública federal, que inclui os endividamentos interno e externo do governo, caiu 0,04% em agosto, chegando a R$ 2,95 trilhões, conforme dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional. A pequena redução na dívida pública se deve ao maior resgate de papéis em relação a julho. O governo pagou aos investidores R$ 99,55 bilhões enquanto as emissões de dívida totalizaram R$ 66,38 bilhões. Com isso, houve um resgate líquido de R$ 33,17 bilhões. Apesar disso, as despesas com juros em agosto chegaram a R$ 31,84 bilhões, fator que contribui para o crescimento da dívida pública. Os dados sobre o endividamento público federal foram divulgados com atraso porque os servidores do Tesouro estavam em greve.

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