Trump fala em fraude

Trump fala em fraude

Em queda nas pesquisas de opinião, seja nacionalmente ou nos estados-chaves, o candidato republicano à Casa Branca questiona lisura da eleição de novembro

postado em 18/10/2016 00:00
 (foto: Timothy A. Clary/AFP)
(foto: Timothy A. Clary/AFP)



Na antevéspera do terceiro debate com Hillary Clinton, considerado a sua última chance de mudar o curso ; até aqui, considerado francamente desfavorável ; da eleição presidencial de 8 de novembro, o candidato da oposição republicana, Donald Trump, parecia ontem encenar o personagem Don Quixote, em guarda para enfrentar moinhos de vento como se fossem dragões. Diante de pesquisas que o mostram desabando nas intenções de voto, nacionalmente e nos estados-chaves para conquistar maioria no Colégio Eleitoral, Trump uma vez mais invocou a suspeita de uma ;fraude eleitoral;, embora os próprios líderes do Partido Republicano se recusem a endossar a desconfiança do candidato que encabeça as listas eleitorais do partido.

;É claro que haverá fraude eleitoral em grande escala, antes da votação e durante;, escreveu Trump em sua conta no Twitter. ;Por que os líderes republicanos negam o que está ocorrendo? Que ingênuos!”, protestou.

Encurralado por múltiplas acusações de abuso sexual, o presidenciável, que se prepara para o debate de amanhã com a rival democrata, Hillary Clinton, tem insistido nas denúncias de fraude, o que gera preocupação sobre possíveis protestos pós-eleitorais.Trump não para de repetir que a mídia ;conspira a favor; de Hillary, ao dedicar espaço às acusações de abuso sexual contra ele.

O candidato a vice na chapa republicana, Mike Pence, se somou a esse discurso ao declarar, no domingo, que a mídia nacional ;constantemente tenta mudar de tema e ignorar, deliberadamente, a corrupção e o tráfico de influência envolvendo Hillary Clinton;. Diferentemente do ;cabeça de chapa;, Pence nem sequer aventou a possíbilidade de denunciar as eleições como fraudulentas. ;Aceitaremos absolutamente; o resultado, declarou.

O secretário de Estado de Ohio, o republicano Jon Husted, encarregado de supervisionar a eleição em um dos estados onde as pesquisas mostram equilíbrio entre os candiatos, classificou ontem como ;irresponsável; a atitude do candidato presidencial do seu partido. ;Se há um problema sistêmico, por favor, identifique. Não fique apenas nas acusações no Twitter. Fale;, provocou, em entrevista à tevê CNN.

O presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, o republicano com mais poder em Washington, já tinha tomado distância da campanha de Trump. Ontem, ele descartou também as suspeitas contra a integridade do sistema eleitoral. O diretor da campanha de Clinton, Robby Mook, declarou que o adversário republicano ;está tentando, desesperadamente, mudar o foco da própria campanha desastrosa;. ;Ele sabe que está perdendo e tenta culpar o sistema. É o que os perdedores fazem;, disse aos jornalistas.

Pela natureza descentralizada, o sistema eleitoral americano não facilita uma fraude eleitoral em grande escala. As eleições são organizadas e conduzidas sob a responsabilidade de cada um dos 50 estados, e o Partido Republicano governa na maioria.



Último debate
Trump e Clinton enfrentam-se amanhã no terceiro e último debate presidencial, em Las Vegas. A candidata democrata passou ontem o dia em casa, no elegante subúrbio de Chappaqua, em Nova York, preparando-se para o confronto.
Restavam poucas dúvidas, entre os observadores, de que haverá perguntas sobre a publicação, pelo site WikiLeaks, de milhares de e-mails hackeados do chefe da equipe de campanha democrata, John Podesta, que revelariam articulações da candidata. Os documentos mostram, entre outras coisas, que Hillary acredita na ideia de manter ;uma posição privada e outra pública;, em certos assuntos.

Apesar das revelações incômodas, a candidata democrata tem no momento 45,4% das intenções de voto, contra 39,1% para Trump e 6,1% para o libertário Gary Johnson, segundo o site RealClearPolitics, que calcula uma média das sondagens de alcance nacional. Há quatro anos, Barack Obama tinha 0,4 ponto de vantagem sobre o desafiante republicano, Mitt Romney.

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