"Pirotecnia", diz Celina Leão

"Pirotecnia", diz Celina Leão

A presidente afastada da Casa e o distrital Bispo Renato negam que tenham pedido para ex-servidores ligados aos gabinetes deles recolherem documentos e equipamentos pouco antes de deflagrada a ação

» HELENA MADER » ANA VIRIATO Especial para o Correio
postado em 18/10/2016 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 26/8/16)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 26/8/16)

A presidente afastada da Câmara Legislativa, deputada Celina Leão (PPS), criticou a realização da terceira etapa da Operação Drácon na véspera da decisão da Justiça sobre a sua possível recondução ao cargo. Para ela, as buscas foram ;um show de pirotecnia;. Mas a parlamentar garante que se mantém otimista quanto ao resultado do julgamento. ;Os desembargadores têm acesso aos autos e poderão comprovar a verdade;, declarou a deputada.

O Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) não fez acusações de que a retirada de documentos teria sido feita por ordem dos deputados distritais envolvidos na Drácon, mas declarou que é preciso investigar ;por que e a mando de quem; houve o transporte de documentos para fora da Casa. Celina Leão voltou a negar envolvimento no episódio e disse, ainda, que Sandro Vieira, seu ex-assessor, não aparece carregando documentos ou máquinas. A parlamentar do PPS reafirma que não houve retirada de computadores da Câmara Legislativa e, para ela, o laudo do Instituto de Criminalística corrobora esse entendimento. Celina também alega que a distrital Liliane Roriz mentiu ao MPDFT. ;Tanto é que ela teve que retificar seu depoimento ao MP antes da segunda fase da Drácon;, comentou a presidente afastada.


O advogado de Celina, Eduardo Toledo, também comentou o fato de a nova fase da Drácon ser deflagrada um dia antes de o Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) analisar o pedido de reconsideração do afastamento da parlamentar. ;A realização da terceira etapa da operação foi deferida pela Justiça em 11 de outubro. Se havia risco de destruição de provas, por que o Ministério Público esperou quase uma semana e realizou a operação um dia antes do julgamento?;, questionou Toledo. ;O que justifica uma operação dessa natureza dois meses após a realização da primeira?;, acrescentou.

Segundo Toledo, depois da denúncia sobre a possível retirada de computadores da Câmara Legislativa, todos os funcionários do gabinete de Celina Leão foram orientados a ir ao MPDFT prestar esclarecimentos. O advogado destacou alguns dos principais pontos da defesa. O primeiro questionamento é relativo ao áudio da conversa entre Celina Leão e Liliane Roriz. Toledo defendeu que houve uma edição, que suprimiu um importante trecho da conversa. ;Houve uma fragmentação dolosa desse material, retirando o trecho em que Celina afirma que não esteve com empresário e que não queria nada;, explica. Ele cita, ainda, o depoimento do empresário Afonso Assad, no qual não houve menção ao nome de Celina. ;Se o Ministério Público tem tanta certeza de que houve crime, por que ainda não ofereceu denúncia?;, perguntou o advogado.

;Infundadas;
O distrital Bispo Renato Andrade (PR), afastado da 3; Secretaria da Câmara Legislativa, alegou, em nota, não saber de atos ilícitos supostamente cometidos por seu ex-servidor Alexandre Braga Cerqueira. O parlamentar reafirmou inocência e reiterou que as acusações contra ele são infundadas. ;O esclarecimento dos fatos é necessário e se dará no momento certo;, frisou. Alexandre foi afastado do cargo de secretário executivo dois dias após a deflagração da Drácon e teve a exoneração publicada no Diário da Câmara Legislativa em 1; de setembro. O ex-servidor não foi encontrado para comentar as denúncias do MPDFT.

A defesa de Sandro Vieira esclareceu que entradas e saídas do gabinete eram usuais porque, à época, ele era secretário legislativo. Segundo os advogados, após a Drácon, o ex-braço direito de Celina Leão pediu exoneração e passou a ocupar o cargo de assessor, com salário menor, para colaborar com as investigações. De acordo com a defesa, Sandro está ;tranquilo; em relação à nova fase da operação.




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