O impacto no bolso

O impacto no bolso

Ainda esta semana, as famílias que consumirem mais de 10 mil litros mensais de água devem começar a pagar taxa extra na conta. Saiba como ela vai pesar no orçamento e como fazer para economizar

Rafael Campos
postado em 18/10/2016 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press
)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press )

Esta semana, o brasiliense não deve escapar de pagar mais pela água. Como o nível do reservatório do Descoberto bateu os 27,42% ontem, o índice chegou ao limiar dos 25%, percentual no qual começará a ser cobrada a tarifa de contingência. A medida visa racionalizar o consumo atacando o local mais sensível do consumidor: o bolso. Todos aqueles que gastarem mais que 10 mil litros por mês terão que desembolsar 20% a mais.

A ideia é que, com a taxa, haja uma economia de 15% e, com sorte, o brasiliense possa fugir do racionamento. A quantia não afetará apenas moradores do Plano Piloto, que chegam a consumir 12 mil litros de água per capita por mês: 55% das casas no DF usam mais que o volume estipulado pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do DF (Adasa). Até julho, a programadora de computadores Ivani Marreiros, 52 anos, morava apenas com o marido e uma filha, gastando cerca de 13 mil litros de água por mês. A partir de agosto, a filha mais velha e a neta vieram morar com a família, o que fez o consumo mensal subir para 15 mil litros. A última conta paga registrou o valor de R$ 127,11. Caso ela tivesse de pagar a tarifa de contingência, o novo preço subiria para R$ 152,53, pela mesma quantidade (veja arte). ;É um gasto a mais dentro de casa, mas entendo que a população só começa a dar valor à água usada quando o valor pesa no bolso.;

A programadora faz em casa o máximo de economia, mas acha difícil consumir 10 mil litros. ;Eu e meu esposo trabalhamos o dia todo, e nossas filhas passam grande parte do dia na escola, não somos uma família com gastos supérfluos. Reutilizamos a água da máquina de lavar para limpar a área e, quando chove, coloco bacias para captar a água da chuva. Não consigo imaginar outros modos de diminuir o consumo;, diz Ivani.

Para o economista Roberto Piscitelli, o peso financeiro não só vai ajudar a economizar como é extremamente necessário para que haja uma mudança na forma como a população lida com a água. Porém, ele critica uma tarifa baseada em um consumo específico. ;Ela não faz distinção entre ricos e pobres. O mais adequado seria uma taxação progressiva, porque áreas como o Lago Sul gastam bem mais que localidades como Candangolândia;, justifica. Dessa forma, quanto maior o gasto, maior seria o pagamento. ;Ainda assim, é um mecanismo para diminuir a cultura perdulária do brasileiro. Mas ela não pode vir sozinha. É preciso também aumentar as campanhas educativas.;

Mudança de hábito

Mesmo que muitas casas estejam se adaptando aos novos tempos, o ideal, dizem os especialistas, é forçar ainda mais a mudança de hábitos. ;São alterações mínimas, como banhos reduzidos, reutilização da água que lava as roupas para outras atividades;, exemplifica Marcelo Gonçalves Resende, integrante do Conselho de Recursos Hídricos do DF.

Na casa de José de Carmo, 62 anos, vivem ele e mais quatro pessoas. Diferentemente de Ivani, a família do aposentado passa mais tempo em casa, situação que reflete no valor da conta de água. No débito pago na última semana, o consumo mensal foi de 21 mil litros, número que totalizou um valor de R$ 191,36. Com a taxa, o valor subiria para R$ 229,99. ;É um acréscimo absurdo. Temos esse consumo para suprir as nossas necessidades básicas, não ficamos desperdiçando.; Em julho, a família de José consumiu 17 mil litros; em agosto, 19 mil; e em setembro, 21 mil. Para o aposentado, a justificativa foi o calor. ;Se está mais quente, consumimos mais água e tomamos mais banhos por dia;, explica. Para a família não pagar o acréscimo na conta, deverá diminuir o consumo em 52%.

"Ela (a taxa) não faz distinção entre ricos e pobres. O mais adequado seria uma taxação progressiva, porque áreas como o Lago Sul gastam bem mais que localidades como Candangolândia;
Roberto Piscitelli, economista

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação