Castração sob investigação

Castração sob investigação

ALESSANDRA AZEVEDO Especial para o Correio
postado em 18/10/2016 00:00
O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Distrito Federal (CRMV-DF) apura irregularidades em um mutirão de castração de animais que movimentou moradores, veterinários e até policiais no último domingo, na 407 Sul. Os responsáveis pelo evento podem ser proibidos de exercer a profissão, caso as denúncias sejam comprovadas.

No local, não havia placa ou qualquer outro tipo de identificação, apenas uma fila e algumas latas de tinta. Financeiramente, no entanto, a proposta era tentadora: a clínica cobrava entre R$ 65 e R$ 300 para castrar gatos e cachorros ; bem abaixo do preço praticado pelo mercado, que pode chegar a até R$ 1 mil, a depender do tamanho do animal e da clínica.

Um veterinário, que não quis se identificar e passou o dia no local, afirma que a estrutura não era apropriada para as cirurgias. ;A clínica não estava tomando os cuidados necessários com exames e procedimentos.; Preocupado com a situação, o profissional denunciou o mutirão ao CRMV. ;Não sou contra a ação, só espero que façam de maneira correta para os animais não sofrerem;, diz.

Segundo a coordenadora técnica do CRMV, Simone Gonçalves, a clínica denunciada não tinha autorização para fazer o evento. ;É preciso apresentar um projeto, explicando tudo o que será feito, de onde virão os animais. Isso não foi feito.; O ideal é que o projeto seja apresentado 60 dias antes da data do mutirão. Além disso, a clínica deve entregar um relatório depois da ação, com o registro de eventuais problemas ocorridos. ;Os profissionais em questão não procuraram a gente nem antes nem depois.;

Além da denúncia do veterinário, o CRMV recebeu ontem a de um morador da quadra onde ocorreu o mutirão. Incomodado com os barulhos, ele disse que ;havia muitos gritos de cachorros e gatos;. O depoimento, segundo Simone, é um dos indícios de que a clínica não estava usando a anestesia inalatória, indicada para castração. ;Se estivesse, não era para o cachorro sentir dor;, explica.

Uma das veterinárias responsáveis pelo mutirão, que prefere não se identificar, afirma que, pelo procedimento demorar até 20 minutos, não há necessidade de doses muito fortes de anestesia. ;Durante o procedimento cirúrgico, há o constante monitoramento do paciente para que, em momento algum, haja incômodo relacionado à dor. Nenhum de nossos pacientes chega a sofrer;, garante.;O centro cirúrgico da clínica está preparado para receber os animais. As críticas vêm de veterinários que se sentem ameaçados por projetos de mutirão de castração.;

Os policiais militares e civis que estiveram domingo no local ;não constataram nenhuma infração penal ou indício de maus-tratos a animais que justificasse uma intervenção;, segundo a PM. O CRMV vai abrir um processo ético, que pode durar mais de seis meses de apuração. Se forem confirmadas as suspeitas, as sanções podem ir de advertência até cassação do exercício profissional das responsáveis.

Fique de olho

Antes de colocar o animal de estimação na sala de cirurgia, é importante:
  • 1. Observar a estrutura da clínica. Caso não tenha fachada, seja muito escuro e pouco ventilado, o lugar provavelmente não é ideal para fazer a castração.
  • 2. Analisar os preços. Se o procedimento for muito mais barato que nos concorrentes, desconfie.
  • 3. Verificar se a clínica é credenciada no Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV). O certificado de regularidade deve ficar exposto nas paredes, em local bem visível. Se não tiver, é provável que seja clandestina.
  • 4. Mesmo se tiver o certificado na parede, conferir se a clínica está cadastrada no portal do CRMV. Basta procurar o nome do estabelecimento no site www.crmvdf.org.br.

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