Renan ataca operação: "juizeco"

Renan ataca operação: "juizeco"

Presidente do Senado afirma que %u201Cjuizeco%u201D autorizou operação na Polícia Legislativa e que o titular da Justiça atua como %u201Cum chefete da PF%u201D. Ajufe repudia as declarações do parlamentar

JULIA CHAIB EDUARDO MILITÃO
postado em 25/10/2016 00:00
 (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
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(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press )


Quatro dias após a Polícia Federal deflagrar a Operação Métis, que resultou na prisão de quatro policiais legislativos suspeitos de tentar obstruir a Operação Lava-Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, age como um ;chefete da polícia;. Renan afirmou ainda que vai entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para definir a autonomia dos poderes, porque a PF não poderia ter cumprido ação de busca e apreensão no Senado a mando de um ;juizeco;.

Para o peemedebista, a Polícia Federal usou métodos ;fascistas; na operação deflagrada na sexta-feira, que resultou na prisão de quatro integrantes da Polícia do Senado, incluindo o diretor-geral, Pedro Ricardo de Araújo ; o único ainda preso ;, ligado a Renan e ao ex-senador José Sarney.

Segundo a investigação, os policiais conduziram varreduras nas casas da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), Fernando Collor (PTC-AL), Lobão Filho (PMDB-MA) e de Sarney, em dias próximos a ações de busca e apreensão da Lava-Jato, com o objetivo de obstruir a apuração. As prisões foram autorizadas pelo juiz da 10; Vara Federal, Vallisney de Souza Oliveira. ;Porque um juizeco de primeira instância não pode a qualquer momento atentar contra o poder. Busca e apreensão no Senado só pode se fazer pelo Supremo Tribunal Federal, não por um juiz de primeira instância, lamentável que isso ocorra num espetáculo inusitado que nem a ditadura o fez, com a participação do ministro do governo federal que não tem se portado como ministro de Estado, no máximo como ministro circunstancial, chefete de polícia;, disparou o presidente do Senado.

Mal-estar
Ainda na sexta-feira, Renan demonstrou a insatisfação com a operação e as declarações do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. Além de ter divulgado uma nota em que afirma que a ação dos agentes foi legal e que houve interferência dos poderes, o peemedebista reclamou do mal-estar para o governo. No mesmo dia, Renan conversou com ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima. E no domingo, encontrou-se com o presidente Michel Temer, quando voltou a reclamar do titular da Justiça. Na sexta-feira, Alexandre de Moraes já havia conversado e entregue a Temer um ;amplo relatório; com detalhes sobre a investigação e justificando as prisões. No mesmo dia, negou interferência do Executivo sobre o Legislativo. Ontem, Moraes decidiu não se pronunciar.

O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Roberto Veloso, repudiou, em nota, as declarações de Renan, que não foi e nem era até sexta um dos alvos da operação por ter foro privilegiado, o que garante que ele só possa ser investigado pelo STF. ;Esse comportamento, aliás, típico daqueles que pensam que se encontram acima da lei, só leva à certeza que merece reforma a figura do foro privilegiado, assim como a rejeição completa do projeto de lei que trata do abuso de autoridade, amplamente defendido pelo senador Renan Calheiros, cujo nítido propósito é o de enfraquecer todas as ações de combate à corrupção e outros desvios em andamento no país;, disse.

;Um juizeco de primeira instância não pode a qualquer momento atentar contra o poder. Busca e apreensão no Senado só pode se fazer pelo Supremo Tribunal Federal;
Renan Calheiros, presidente do Senado

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