Assassinato em escola ocupada

Assassinato em escola ocupada

Jovem de 17 anos sofreu ferimentos com faca no tórax e no pescoço, provocados por outro rapaz da mesma idade. O crime aconteceu em Curitiba, onde estudantes protestam há 22 dias. No país, há manifestações em 1.072 escolas

Patrícia Rodrigues Especial para o Correio
postado em 25/10/2016 00:00
 (foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo
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(foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo )


Um adolescente de 17 anos foi esfaqueado e encontrado morto em uma escola ocupada em Curitiba, no Paraná. O corpo do jovem tinha perfurações no pescoço e no tórax. Segundo informações da Delegacia de Homicídios, o autor do crime é um jovem da mesma idade. A faca usada para atingir o adolescente foi encontrada no local, na Escola Estadual Santa Felicidade, ocupada por estudantes, há 22 dias. Os alunos que estavam no local ligaram para o Corpo de Bombeiros, mas o jovem já estava sem vida quando o socorro chegou.

Segundo a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), 1072 escolas, institutos federais e universidades estão ocupadas em todo o país em protesto contra a medida provisória que reforma o ensino médio e também contra Proposta de Emenda Constitucional 241, que limita o teto dos gastos públicos.

Somente no Paraná, são 850 escolas e 14 universidades ocupadas. O movimento Ocupa Paraná informou que, assim que o crime ocorreu, na tarde de ontem, dez advogados ligados ao movimento foram impedidos de entrar no local para acompanhar estudantes que permaneciam na escola.

Por meio de nota, o governador do Paraná, Beto Richa, lamentou a morte e pediu o fim do movimento. ;A ocupação de escolas no Paraná ultrapassou os limites do bom senso e não encontra amparo na razão, pois o diálogo sobre a reforma do ensino médio está aberto, como bem sabem todos os envolvidos nessa questão;, criticou. Ele classificou, ainda, o crime como tragédia chocante e afirmou que a situação merece profunda reflexão.

O Movimento Brasil Livre (MBL), defensor da PEC 241, voltou, mais uma vez, a criticar a ocupação. ;É dever moral do governador desocupar imediatamente essas escolas para que a gente possa proteger a vida dessas crianças e adolescentes, que não podem ficar à mercê de interesses políticos obscuros;, disse o líder, Kim Kataguiri.

Assim que o crime foi noticiado, pessoas nas redes sociais culparam e criticaram o movimento dos estudantes. O Sindicato de Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) repudiou comentários nas redes e defendeu os secundaristas. ;Infelizmente, neste momento triste, surgem tentativas de criminalizar o movimento legítimo dos estudantes e de vincular o sindicato ao episódio. A APP-Sindicato repudia tais ações. Assim como a sociedade paranaense, esperamos a apuração do caso pelos órgãos competentes;, lamentou.

Enem
A poucas semanas da realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o ministro da Educação, Mendonça Filho, ameaçou, em coletiva de imprensa, cancelar provas nos colégios ocupados, caso as instituições não sejam liberadas até o dia 31. Para os alunos afetados, a prova seria remarcada. ;O MEC reafirma que o direito de protestar é legítimo, é a base de um estado democrático. No entanto, salienta que a Constituição Federal garante a livre manifestação e assegura que a educação é um direito de todos;, informou o órgão. A Ubes afirmou que os estudantes não se intimidariam e que o movimento continuará por tempo indeterminado.

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