Diversidade de temas e de público

Diversidade de temas e de público

Programação de hoje na Bienal terá presença da escritora cubana Teresa Cárdenas em debate e de Jonas Bloch apresentando monólogo. Saiba mais sobre a programação

» Adriana Izel » Alexandre de Paula Especial para o Correio
postado em 25/10/2016 00:00
 (foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
(foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)




Após o primeiro fim de semana, a III Bienal Brasil do Livro e da Leitura segue com uma programação bastante diversificada, capaz de agradar diferentes públicos, com palestras, contação de histórias e cerca de 170 bancas de expositores, até 30 de outubro, no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, no Eixo Monumental.

O principal destaque de hoje é a presença da escritora cubana Teresa Cárdenas. A autora de obras, como o premiado Cartas para minha mãe (1997) e Cachorro velho (2005), estará na cidade pela segunda vez para participar do Seminário Amor, afetividade e individualidade, com a temática O amor em tempos de intolerância e individualismo, no Auditório Nelson Rodrigues, a partir das 19h. Ativista social, Teresa deve trazer questões relacionadas à negritude e ao feminismo no debate, já que foi a ausência de personagens negras na literatura, principalmente no gênero infantil, que a motivou a se tornar escritora.

A literatura infantojuvenil, inclusive, é um dos principais focos da Bienal do Brasil e o que faz o público ir até o local. O operador de callcenter Claudio Renato, 40 anos, aproveitou para levar o filho Carlos Eduardo, 7 anos, para ter acesso aos livros com preços mais baixos. ;Aqui é possível comprar forma mais barata, os valores são acessíveis, o que é um incentivo para a leitura;, afirma. Feliz com os livros que ganhou, o garoto nem esperou voltar para a casa para começar a ler e achou um lugar para começar a leitura ainda no evento. ;Além do incentivo, é muito importante também por ser uma opção diferente para os pais saírem com os filhos;, acredita o pai.

O professor Hikson de Paula, 41 anos, saiu de Luziânia (GO) para levar a filha Bianca, de 8 anos, ao evento. ;Esse ambiente é incrível para as crianças, estimula muito o aprendizado e a criança vai se habituando com o ambiento, ampliando seu universo;, diz. Para Hikson, a Bienal pode ser também um estímulo para escritores. ;Quem escreve deve se sentir motivado vendo tanta gente interessada em livros.; Além disso, ele elogia a organização e a questão sustentável presente em muitos estandes. ;Tem muito material reutilizado e isso é muito bacana;, comenta.

Em especial para o público infantojuvenil, a programação de hoje tem as tradicionais contações de histórias e apresentações teatrais nas arenas Jovem Cecília Meireles, Infantil Monteiro Lobato e Café Literário.

Mais atividades
O ator Jonas Bloch desembarca na Bienal Brasil para apresentar o espetáculo O delírio do verbo, que está em cartaz pelo país desde maio de 2015. A peça tem como base os textos do escritor Manoel de Barros, que inspiraram o ator a criar a montagem. O espetáculo, que é um monólogo, mostra as diversas nuances do escritor, como humor, surrealismo, romance e ironia interpretadas por Bloch. ;Manoel de Barros nos oferece um novo olhar sobre a vida. O que poderia ser mais importante?;, indaga o ator em entrevista ao site Teatro em Cena sobre a escolha dos textos do escritor para a concepção da peça teatral, que será encenada às 19h30, na Arena Infantil Monteiro Lobato.

Além de Jonas Bloch, a Bienal também recebe outro convidado aguardado na programação de hoje. A partir das 20h30, o autor paulista Renato Meirelles está no Café Literário para debate e sessão de autógrafos da obra Um país chamado favela, escrita em parceria com Celso Athayde. O livro apresenta uma radiografia da periferia do Brasil e revela a sua importância dentro da concepção do país. De São Paulo também vem o jornalista Paulo Moreira Leite, que estará no debate A imprensa brasileira e os grandes temas nacionais, a partir das 19h, o lado de Venício Lima e Tereza Cruvinel, também colegas de profissão de Leite. Em valorização aos artistas locais, a Banca 308 recebe hoje os lançamentos das novas obras de Renato Fino, Zelumen, e Nina Tubino, Uma luz na história.

A presença de convidados é um ponto elogiado pelo público da Bienal. Os advogados Lyvan Bispo, 26 anos, e Alina Bispo, 29 anos, apontaram a possibilidade de ver e conhecer escritores e pensadores como um diferencial do evento. ;É uma oportunidade excelente de ter contato com formadores de opinião, escritores, ouvi-los;, acredita Lyvan. Alina destacou também a grande presença de crianças e adolescentes com os pais. Para ela, isso mostra que o evento tem potencial para conquistar os jovens leitores. ;Você vê muita criança, muitos pais trazendo os filhos e isso é ótimo porque incentiva, desde cedo, a se tornar um leitor;, observa. O casal ainda elogiou a nova estrutura da Bienal. ;É mais centralizado, tem mais estrutura, foi uma boa troca;, acredita Lyvan. Para ele, a cidade precisa de mais eventos como a Bienal. ;Existe uma carência em determinados setores na cidade. A Bienal é essencial porque é também uma forma de abrir espaço;.

III Bienal Brasil do Livro e da Leitura
Até 30 de outubro, das 10h às 22h, no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha (Eixo Monumental). Entrada franca. Classificação indicativa livre.


Programe-se
9h às 22h: Exposições Reino de Makunaíma e sua chefia da fauna e Literanua, no Espaço Bienal.

9h30, 10h30, 14h e 15h: Teatro para jovens DF, na Arena Jovem Cecília Meireles; Contação de estórias para crianças DF, na Arena Infantil Monteiro Lobato; e Teatro para crianças DF, no Café Literário.

18h30: 1915: A história dos sertanejos cearenses no ano da seca, com Cicinato Ferreira Neto (CE). Sessão de autógrafos após o debate. Café Literário.

19h: A imprensa brasileira e os grandes temas nacionais, com Paulo Moreira Leite (SP), Venício Lima (DF) e Tereza Cruvinel (DF). Sessão de autógrafos após o debate. Arena Jovem Cecília Meireles.

19h30: Teatro O delírio do verbo, com Jonas Bloch (RJ), na Arena Infantil Monteiro Lobato. Lançamento do livro Uma luz na história, de Nina Tubino (foto), na Banca 308.

20h: Seminário Amor, afetividade e individualidade nos tempos modernos. Tema: O amor em tempos de intolerância e individualismo, com Teresa Cárdenas (Cuba). Sessão de autógrafos após o debate. Auditório Nelson Rodrigues.

20h30: Um país chamado favela, com Renato Meirelles (SP). Sessão de autógrafos após o debate. Café Literário. Lançamento do livro Zelumen, de Renato Fino (foto), na Banca 308.

21h: Sarau poético Os independentes na Bienal, no Palco Leminski.



Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação