Triunfo do estreante

Triunfo do estreante

Com um discurso de combate aos antigos políticos e promessa de fazer a cidade funcionar, Alexandre Kalil vence o candidato do PSDB, João Leite, na disputa pelo comando da capital de Minas Gerais

Juliana Cipriani
postado em 31/10/2016 00:00
 (foto: Euler Junior/EM/D.A Press)
(foto: Euler Junior/EM/D.A Press)


Belo Horizonte ; Na eleição mais disputada dos últimos 20 anos na capital mineira, o ex-presidente do Atlético Alexandre Kalil (PHS) foi eleito ontem prefeito de Belo Horizonte com 627.903 votos, equivalentes a 52,98% dos votos válidos. O vice-prefeito é o deputado estadual Paulo Lamac (Rede), que vai deixar a vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O deputado estadual João Leite (PSDB) terminou a disputa com 557.207 votos, ou 47,02% da votação. A abstenção foi de 22,77%. Os votos nulos somaram 15,52%, e os brancos, 4,85%.

Em um feito inédito, o estreante na política Kalil chegou ao posto derrotando o PSDB, que desde 2008 estava presente na Prefeitura de Belo Horizonte, ancorando as candidaturas do PSB do prefeito Marcio Lacerda. Com o resultado, João Leite perde pela terceira vez a chance de alcançar o mais alto posto do município. Kalil venceu com um discurso de combate aos velhos políticos. Surfou na onda de insatisfação da população com a classe e soube capitalizar os votos, apesar do bombardeio que sofreu dos adversários nos dois turnos.

João Leite fez apenas um pronunciamento no qual agradeceu aos partidos pelo apoio à sua candidatura e ao senador Aécio Neves (PSDB), que o acompanhou. O tucano disse que sai da eleição preocupado com o alto índice de abstenção, de votos brancos e nulos. ;A política não pode ser negada porque a democracia se dá no âmbito da política. A negação proporciona um ambiente para o autoritarismo;, disse.

O prefeito eleito chegou ao posto com promessas simples que, basicamente, consistiam em ;fazer BH funcionar;. Avesso a grandes obras de concreto, Kalil se comprometeu a terminar todas as obras paradas do Orçamento Participativo na cidade. Ainda pela manhã, ao votar, adiantou que seu primeiro ato como prefeito eleito será cuidar da retirada de cerca de 2 mil famílias das áreas de risco de Belo Horizonte. ;Esse é o primeiro ato, porque em janeiro começa a cair casa e morre gente. Na prática, tem que correr à Defesa Civil segunda-feira, à prefeitura e ao governo de Minas para que essa catástrofe que se tornou rotina na vida do pessoal de BH passe a ser exceção;, afirmou. BH tem cerca de 200 áreas de risco geológico. Segundo a Urbel, os maiores problemas possíveis são os deslizamentos de encostas. De acordo com a prefeitura, considerando apenas inundações, a cidade tem 82 áreas de risco.

Segundo turno
Outras três cidades tiveram segundo turno em Minas Gerais. Em Juiz de Fora, na Zona da Mata, o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) foi reeleito com 57,9% dos votos contra 42% da deputada federal Margarida Salomão (PT). Em Montes Claros, no Norte de Minas, o novo prefeito é Humberto Souto (PPS), escolhido com 65,3% da preferência (leia mais na página 8). Ele derrotou o prefeito afastado e investigado por corrupção Ruy Muniz (PSB), que teve 34,6% da votação. Em Contagem, na Grande Belo Horizonte, Alex de Freitas (PSDB) foi eleito com 72,9% dos votos contra 27% do prefeito Carlin Moura (PCdoB).



"A política não pode ser negada porque a democracia se dá no âmbito da política. A negação proporciona um ambiente para o autoritarismo;
João Leite (PSDB), candidato derrotado em Belo Horizonte



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