Todos de olho em 2018

Todos de olho em 2018

Com o resultado das disputas municipais, políticos do DF avaliam cenários e recados do eleitorado para preparar discursos e alianças rumo ao Palácio do Buriti. Rollemberg espera mostrar realizações e adversários buscam alianças para derrotá-lo nas urnas

Helena Mader
postado em 31/10/2016 00:00
 (foto: André Violatti/Esp. CB/D.A Press - 8/6/16)
(foto: André Violatti/Esp. CB/D.A Press - 8/6/16)












Os brasilienses não foram às urnas ontem, mas os políticos da capital federal estão de olho na votação municipal. Além do interesse partidário, a preocupação dos potenciais candidatos de Brasília é com a sinalização que o eleitorado brasileiro deu na votação. Os resultados do primeiro turno já mostraram uma tendência de rejeição da política, reforçada por grandes escândalos, como a Lava-Jato. A dois anos da disputa pelo Palácio do Buriti, esse é mais um elemento no intrincado xadrez da sucessão de Rodrigo Rollemberg.

Nas últimas semanas, a movimentação nos bastidores se intensificou e grupos de oposição ao governador se articulam cada vez mais. A crise financeira e os atritos do governo com os sindicatos, que devem se agravar nas próximas semanas, também ajudam a inflamar ainda mais o jogo político no Distrito Federal.

Muitos personagens estão hoje na disputa e há tentativas de aglutinar essas forças em torno de grupos menores, mas ainda há dúvidas sobre quantos chegarão a outubro de 2018 com condições de concorrer a um cargo majoritário. Apesar do momento delicado que enfrenta, sem dinheiro para pagar os reajustes salariais do funcionalismo público, Rollemberg espera se recuperar a partir de 2017. Ele aposta que poderá alavancar a popularidade com a entrega de obras em andamento, principalmente a urbanização de regiões carentes, como Sol Nascente. A equipe do governador também investe em projetos como a contratação de organizações sociais, para tentar mostrar resultados na saúde pública.

Na oposição, o nome mais citado é o do ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB). Assessor especial do presidente da República, Michel Temer, ele despacha do Palácio do Planalto, mas não descuida das articulações locais. O cargo no governo federal também dá visibilidade em negociações importantes para o DF, como as relacionadas ao Fundo Constitucional e ao reajuste da Polícia Civil. Na última segunda-feira, ele deixou o Palácio para conversar com integrantes da corporação que cobravam reajuste em um protesto na Esplanada dos Ministérios.

Desde o ano passado, Filippelli tem articulado uma candidatura ao Palácio do Buriti. Para isso, mantém diálogo com vários atores políticos que se contrapõem a Rollemberg, principalmente remanescentes do antigo grupo encabeçado pelo ex-governador Joaquim Roriz. Na semana passada, ele esteve em eventos públicos ao lado de potenciais aliados, como a distrital Liliane Roriz e o ex-deputado Alírio Neto, ambos do PTB. Alírio assumiu a presidência regional do partido na última quinta-feira.

O evento de posse reuniu os principais opositores do governo, como Jofran Frejat (PR) e os deputados federais Izalci Lucas (PSDB) e Alberto Fraga (DEM), além de distritais críticos ao GDF e até da base de Rollemberg, como Joe Vale (PDT). O ato ganhou contornos de negociação para a formação de palanque para 2018. No fim de semana anterior, Filippelli já havia participado da festa de aniversário de Samambaia ao lado de Liliane Roriz. A caçula do ex-governador, que se impôs uma temporária reclusão da vida pública desde o escândalo da Operação Drácon, reapareceu sorridente ao lado de Filippelli. Dias antes, ela havia se livrado de uma condenação de improbidade, que poderia deixá-la inelegível, e conseguiu salvar o próprio mandato, depois do arquivamento definitivo de um processo de cassação.

Já Filippelli ainda enfrenta percalços para ser o principal nome de oposição a Rollemberg. Só este ano, ele já foi considerado inelegível pelo Tribunal Regional Eleitoral do DF em dois processos, ambos ao lado do ex-governador Agnelo Queiroz (PT). A primeira condenação, proferida em janeiro, está em análise no Tribunal Superior Eleitoral, sob a relatoria do ministro Henrique Neves. Como a Corte tem privilegiado processos relacionados às eleições municipais, a decisão definitiva sobre o destino da dupla deve ficar para 2017.

Se conseguir manter a candidatura até 2018, o peemedebista também será duramente cobrado pela aliança com o PT, e os rivais vão atacá-lo duramente pelos problemas de caixa deixados pela gestão passada. Em vez de tentar se desvencilhar do antigo aliado, a tendência é que Filippelli destaque pontos positivos do governo Agnelo, como a desativação do Caje e a entrega de obras. Também deve ressaltar realizações de suas participações em gestões de Joaquim Roriz, ao lado de quem começou a vida pública.

Disputa nacional
A formação de alianças ainda depende de definições no cenário nacional. O destino de alguns partidos como o PSDB, por exemplo, só ficará claro depois de acertos para a disputa pelo Palácio do Planalto. No partido, o deputado federal Izalci Lucas se coloca como pré-candidato ao Governo do Distrito Federal. O PSDB do DF ainda enfrenta o trauma de guerras internas que deixaram a sigla enfraquecida. E os atritos dentro do ninho tucano continuam, o que pode atrapalhar os planos para as eleições majoritárias. O parlamentar, entretanto, é cotado por setores da oposição ligados ao ex-governador José Roberto Arruda. Nesse nicho, entretanto, ainda há especulações em torno de uma possível nova candidatura de Jofran Frejat (PR), além de menções ao nome do deputado federal Alberto Fraga (DEM).

A deputada distrital Celina Leão (PPS), que até meados deste ano era citada frequentemente como nome forte para concorrer a um cargo majoritário, sofreu danos políticos em decorrência da Operação Drácon e de seu afastamento da presidência da Câmara Legislativa. Mas, dependendo do desfecho do caso na Justiça, ela pode tentar recuperar seu patrimônio eleitoral nas urnas, contrapondo-se a Rollemberg ; a quem responsabiliza pelo surgimento do escândalo.

Já o senador Cristovam Buarque (PPS) descarta totalmente qualquer possibilidade de voltar a disputar o Palácio do Buriti. O parlamentar vislumbra hoje dois cenários: concorrer à reeleição e continuar mais oito anos no Senado ou se aposentar da vida pública. A decisão sobre seu futuro só deve ser tomada em 2018. Reguffe (sem partido) também já anunciou que vai concluir seu mandato no Senado, que vai até 2022. Está, portanto, fora dos palanques em 2018.

Outra incógnita para a próxima eleição majoritária no Distrito Federal é o destino do PSD. O partido do vice-governador Renato Santana, comandado no DF pelo deputado federal Rogério Rosso, segue no governo, mas a aliança está cada vez mais frágil. Não é segredo no mundo político que o chefe do Executivo e seu vice praticamente não se falam. Rollemberg e Santana trocaram rusgas em público e o clima azedou de vez com

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