Diplomacia de negócios

Diplomacia de negócios

postado em 04/12/2016 00:00
Sem o Congresso ao seu lado para derrubar o embargo econômico imposto a Cuba no início dos anos 1960, o presidente Barack Obama fez uso de seu poder, como chefe do Executivo, para alterar regulações e aliviar o peso das restrições ao adversário de meio século de Guerra Fria. Embora o mecanismo tenha permitido que o democrata se esquivasse da obstrução mantida no Capitólio pela maioria de oposição, os decretos assinados por ele perdem força com o fim de seu mandato, e podem ser facilmente revogados pelo sucessor, o republicano Donald Trump.

Durante a campanha, o agora presidente eleito afirmou repetidamente que pretende revisar as ordens executivas de Obama, e contempla até a possibilidade de voltar atrás em cada questão negociada pelo antecessor, caso Havana não se comprometa a ampliar as liberdades no país. Mas o democrata buscou se apoiar nos interesses comerciais dos EUA ; em particular do setor privado ; para tentar tornar a reaproximação ;irreversível;.

As medidas adotadas por Obama ajudaram a facilitar a visita de americanos a Cuba, inclusive com a retomada de voos comerciais diretos. Embora o turismo ainda não esteja plenamente autorizado e persistam restrições para transações financeiras, o presidente americano flexibilizou o processo de permissão para viagens. Além disso, liberou para os cidadãos americanos o uso de cartões de débito na ilha e facilitou a interação entre organizações financeiras dos dois países.

Restrições para o comércio de equipamento de telecomunicações e máquinas agrícolas e até a compra de charutos e rum cubanos foram aliviadas. Acordos de cooperação para pesquisas médicas e proteção da vida marinha na região foram firmados. Temas como o combate ao terrorismo, a eficiência energética, o apoio a pequenos negócios, a propriedade intelectual e uma série de regulações comerciais e financeiras ainda estão na pauta do diálogo bilateral. Josefina Vidal, encarregada das tratativas com Washington pela chancelaria cubana, afirmou publicamente que as medidas são ;positivas;, porém ;limitadas;.

Por enquanto, a manutenção do embargo americano sobre Cuba alivia a projeção de queda na exportação de suco de laranja brasileiro para os EUA. Para o historiador Rene De La Pedraja, a forte produção de cítricos na ilha caribenha pode intensificar a competição na venda do produto aos americanos, se as sanções forem derrubadas. (GFV)

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