Brasília perde o mestre das trilhas

Brasília perde o mestre das trilhas

Geison Guedes Especial para o Correio
postado em 04/12/2016 00:00
 (foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press - 12/7/13)
(foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press - 12/7/13)



Brasília perdeu, na tarde de ontem, um dos maiores nomes do off-road da cidade. Elson Meneses, 51 anos, estava em mais uma das incontáveis trilhas de 4x4 que tanto marcaram sua trajetória quando teve um mal súbito e veio a óbito. Ele deixa a mulher, Cláudia Grandi, dois filhos, um neto, uma legião de amigos e admiradores, além de uma história de respeito no universo dos rallies e de outras competições fora de estrada.

Mecânico, empresário, piloto, navegador, jipeiro, aventureiro. Diante de tantas definições, uma explicava de forma perfeita Elson: era um entusiasta do off-road ; segundo os amigos, o maior deles ;, apaixonado pelo que fazia e querido por todos. ;Estávamos em categorias diferentes, mas tínhamos uma convivência diária. Ele era um cara sempre alegre, com acesso a todas as equipes, queridíssimo no meio, a marca dele era essa;, lembra Marcos Gontijo, jipeiro e amigo há 20 anos de Meneses. ;Estive com ele no Rally dos Sertões. Estávamos em categorias diferentes, mas tínhamos uma convivência diária. Não era apenas respeitado em Brasília, mas em todo o Brasil. A comunidade off-road o vê como o maior do esporte, um cara agregador, brincalhão, conhecido pelo espírito de equipe e pela certeza de que tudo acabaria bem. Ele era extremamente envolvido, apaixonado pelo fora de estrada. É uma grande perda, todos os que fazem parte do círculo do 4x4 estão sofrendo com a família;, acrescenta.

Como amante da aventura 4x4, Elson participou de diversas competições e foi vencedor de várias delas. Integrava a equipe Kandangus Rally Team, pela qual disputou a edição deste ano e a de 2015 do Rally dos Sertões, como navegador do amigo e xará, Elson Cascão. Em 2009, ele ajudou na construção de um protótipo e, junto com Cascão, disputou o maior rali brasileiro. Fez parte, como navegador, de outras equipes no Sertões. Em 2012, correu ao lado do mineiro Cristiano Batista, na categoria Protótipo. No ano seguinte, fez dupla com o paulista Marcelo Daminie, na Expert 4X4, quando conseguiu um segundo lugar. Já em 2014, foi companheiro de Davison Rabechi, na Pró-Brasil.

Para Cascão, a perda de Elson é inestimável para o off-road da cidade. ;Ele tinha paixão pelo que fazia e era um grande incentivador, senão o maior, do mundo 4x4 brasiliense; a perda dele é incalculável, por tudo que ele representava. Mas morreu fazendo o que gosta, no meio de uma trilha. Com certeza, ele foi embora feliz;, lamenta.

Como reforço do carinho que todos tinham por Meneses, o seu perfil em uma rede social foi inundado com mensagens de pesar e carinho. ;A tarde perdeu a graça e a tristeza tomou conta. Mas só até começar a procurar as fotos dele e a relembrar do bom humor e da gaiatice constantes. Vou mudar o foco, tentar deixar a tristeza de lado e fazer uma bela trilha em homenagem a esse cara sensacional. Bro, o trem tá feio no céu, estão levando os melhores! Cuidado com as referências na trilha, não vá ficar rodando à toa! Atropele as valas, cruze os rios e descanse em paz!”, escreveu Weimar Pettengill. Outro a se manifestar foi Geraldo Piquet: ;Quando comecei no off-road 4x4, ele foi meu professor; na minha primeira prova, foi minha dupla; hoje e sempre, um amigo. Sempre disposto a ajudar a qualquer um atolado, quebrado ou capotado... Um cara nota mil. Um dia faremos trilhas no céu juntos!”.

Até o fechamento desta edição, não havia informações sobre velório e sepultamento.

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