Esporte comprometido

Esporte comprometido

» GLÁUCIA CHAVES
postado em 04/12/2016 00:00
A contaminação do lago por cianobactérias tem afetado a prática de esportes no local e, consequentemente, os pequenos negócios que funcionam às margens. O microempreendedor Rafael Sampaio, 29 anos, é idealizador do projeto Surf do Cerrado e participou do protesto de cerca de 20 surfistas e outros esportistas em 25 de novembro na Praça do Buriti, para cobrar do governo de Brasília providências para a despoluição. Ele e o sócio Sérgio Marques, 36, têm amargado manhãs solitárias. São poucos os interessados em aprender a surfar ou a praticar Stand Up Paddle (SUP). Antes da divulgação do boletim sobre as algas do lago, ele conta que atendia, em média, 200 pessoas por sábado. ;Diminuiu bastante o número de pessoas. Até aquelas do nosso círculo do esporte estão deixando de vir. A situação está bastante preocupante;, comenta Rafael.

Os dois mantêm a base de atividades próximo à Ponte das Garças, um dos locais apontados pela Adasa e pelo Ibram como perigosos para banho. ;Todos que dependemos do lago de alguma forma estão tendo prejuízos;, lamenta. ;O que podemos fazer é cobrar dos responsáveis soluções imediatas, para não deixar o problema se agravar. Até agora, não tem nenhum trabalho em prol da limpeza. Em vez disso, só colocaram placas de proibido nadar;, completa.

Mesmo com as placas de sinalização, algumas pessoas se arriscavam nas águas do Paranoá. O mecânico Eduardo Ximenes, 31 anos, testava o motor de seu jet ski. ;Sempre venho ao lago e notei que a tonalidade da água está bem mais escura;, comenta. ;Perto da ponte, tem muitos peixes mortos. Quando você anda na margem, sente um mau cheiro também;, diz.
Os amigos dele Daniel Assis Sales, 32, e o técnico em segurança do trabalho Diego Costa Oliveira, 34, não tiveram coragem de entrar no lago e acompanharam de longe. Para Daniel, não foi só a má qualidade da água que afastou os visitantes, mas também a falta de estrutura da orla. ;Aqui em Brasília é tudo mal fiscalizado. Isso (a poluição do lago) é só mais uma consequência da má administração.;

De acordo com o instrutor de SUP Jackson Sousa, 40, a diminuição do público se deu, também, devido ao período de chuvas. ;Só as chuvas já diminuem naturalmente a quantidade de pessoas. Coincidiu, infelizmente, com esse laudo;, avalia. O microempreendedor Lucas Duarte, 18, também notou a queda de clientes. Ele acredita que falta informação sobre a realidade do lago. ;O público acha que o lago inteiro está afetado, mas não está. Agora, é tentar correr atrás do prejuízo, porque não tem como não usar o local, ele é para todos.;



Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação