360 Graus

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janegodoy.df@dabr.com.br

postado em 04/12/2016 00:00
 (foto: 
Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press-8/4/16






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(foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press-8/4/16 )

Quem te viu, quem te vê

Nosso queridíssimo amigo e colega de trabalho aposentado, o advogado e jornalista Josemar Dantas, que comandava com punho de ferro e competência o caderno Direito e Justiça deste jornal, que sai às segunda-feiras, agora aposentado, tinha uma observação antológica quando diante de um assunto ou notícia não satisfatória. Josemar, sempre espirituoso, diante dos assuntos desagradáveis, dizia: ;Não quero me aborrecer nesse episódio!” No que ele está sempre muito certo. Notícias desagradáveis, a gente deveria mesmo descartá-las.

No entanto, mesmo concordando com o fato de, para nos proteger, devemos evitar nos ;aborrecer nesse episódio;, não dá para ignorar, para não ver nem sentir o que está acontecendo com um dos pontos mais centrais da capital Federal, o Setor Comercial Sul.

Sem ter que passar por lá há algum tempo, não sei quanto, agora foi preciso me embrenhar por aquele lugar que foi cenário tão importante e imponente de Brasília, com a construção de, talvez, os prédios mais altos da cidade ainda jovem: Edifício JK, Edifício Maristela, Edifício Márcia, Edifício Ceará, o Gilberto Salomão, entre outros.

Meca dos bons consultórios médicos, odontológicos, de advocacia, imobiliárias e muito mais, até uma galeria de arte muito importante existia ali: a pioneira Oscar Seráphico. Um centro de compras e consultas no coração da cidade. Perto de tudo, de fácil acesso, quantas vezes fomos à primeira novidade de self atendimento, que antes existia só nas grandes cidades: as Lojas Americanas.

Hoje, com que amargura e sensação de estarmos num lugar que não nos desperta a menor vontade de ficar nele, sentimos que o descaso e a falta de respeito para com os usuários de seus edifícios, os transeuntes, é evidente, uma prova de que, apesar de estar no ;coração; do Plano Piloto, o Setor Comercial Sul merece estar sucumbindo e longe de qualquer movimento para resgatá-lo, para devolver a ele os dias de glória, para corresponder ao que, um lugar como aquele, tivesse a importância e os cuidados que deveria, já que é, para milhares de pessoas, um ponto de referência, um lugar onde se ganha o pão de cada dia.

E nós, pioneiros, que vimos aquilo tudo de uma forma mais decente e bem-cuidada, sentimos um profundo pesar ao ver a decadência, a sujeira, a falta de ordem, de asseio, de segurança, de respeito para com uma localidade que, antes, era o retrato de uma Brasília efervescente.

Não sabemos o que acontece com todos esses pontos mortos da cidade e, muito menos, o que se passa na cabeça de quem os deixa agonizar e morrer. Se, com apenas 56 anos, aquele lugar já está assim, desordenado e sem o menor interesse para deixá-lo, pelo menos, habitável e limpo, o que será do futuro?

Será que vamos copiar os centros das cidades que denigrem a imagem do Brasil e fazem as pessoas fugir ou evitar o trânsito nesses lugares, agravando a situação e deteriorando, cada vez mais aquilo que poderia ser um ponto de referência na cidade.

Lamentável!


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