Somos todos um

Somos todos um

Por Maria Paula
postado em 04/12/2016 00:00


Estive recentemente em Marrakech, participando da COP 22 ; conferência sobre mudanças climáticas promovida anualmente pela ONU ; e pude perceber dois pontos fundamentais que precisam ser melhorados nessa iniciativa.

O primeiro, e mais significativo, é que precisamos encontrar uma forma de promover interface entre os diferentes atores do processo, criando pontos de encontro nos discursos dos defensores dos oceanos, das novas matrizes energéticas, da preservação das florestas e de seus povos, da recuperação de solo, dos cuidados com os animais e assim por diante.

Segundo, estamos falhando na missão de conscientizar as grandes massas. Muito se discute nas mesas de negociação e pouco se muda na vida cotidiana das populações do planeta. A gravidade do momento que estamos vivendo precisa ser compreendida com seriedade e boa vontade, caso contrário, corremos o risco de viver extinções massivas num futuro bastante próximo.

Emissários diplomáticos de centenas de países estavam lá para discutir formas de botar em prática o acordo assinado em Paris. Além deles, havia membros de ONGs e representantes de diferentes grupos interessados em fazer algo para evitar que as consequências drásticas do aumento da temperatura ocorram, o que certamente ocasionará destruição por toda parte.

Minha impressão mais positiva foi a de que, independentemente da importância do cargo ou da fama da instituição representada, do acesso às mesas de negociação (apenas aos credenciados), enfim, independentemente de qualquer coisa, cada pessoa que passou por lá contribuiu de alguma forma: o casal de indianos que meditou em frente às bandeiras dos países; os líderes das aldeias indígenas da Amazônia que foram falar da importância do respeito às demarcações de terras; os jovens que se manifestaram contra o uso de combustíveis fósseis e o desmatamento das florestas; e assim por diante... O presidente da ONU e de vários países, o rei do Marrocos, o príncipe de Mônaco, todos, sem exceção fizeram a diferença.

Percebi que um príncipe realmente não tem mais importância que um monge de Uganda, ou que qualquer outra pessoa. O esforço para cuidar do planeta com respeito e delicadeza é extremamente necessário e, nessa empreitada, todos somos um!

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