Delação atinge Temer, Renan, Jucá, Eunício...

Delação atinge Temer, Renan, Jucá, Eunício...

Executivo da empreiteira cita Temer, Renan, Padilha, Moreira Franco, Rodrigo Maia, entre outros nomes da classe política na colaboração premiada fechada com o MP. Segundo o delator, o presidente pediu R$ 10 milhões para campanha eleitoral

» JULIA CHAIB
postado em 10/12/2016 00:00
 (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil - 24/5/16)
(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil - 24/5/16)


A delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, atinge em cheio a cúpula do governo e o PMDB, o partido do presidente Michel Temer. Em um depoimento de 82 páginas, o executivo ; um dos 77 funcionários da empreiteira que fecharam o acordo de colaboração com o Ministério Público Federal ; detalha conversas com Temer, com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, com o líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), com o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) e com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O secretário do Programa de Parcerias para Investimentos (PPI) do governo federal, Moreira Franco, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), também são citados.

Trechos da delação premiada de Cláudio Melo Filho foram divulgados ontem pelo Jornal Nacional, da TV Globo, pelo site Buzzfeed e pela revista Veja. Segundo o executivo, Temer pediu R$ 10 milhões ao empreiteiro Marcelo Odebrecht, presidente da empresa, em 2014. O dinheiro teria sido entregue, à época da campanha eleitoral, em espécie, ao escritório do advogado José Yunes, amigo próximo de Temer, e ao ministro Eliseu Padilha. Yunes foi tesoureiro da campanha do peemedebista e hoje é seu conselheiro no Palácio do Planalto.

Segundo o delator, Temer teria tido pelo menos dois encontros com Marcelo Odebrecht. Dos R$ 10 milhões, R$ 6 milhões seriam destinados para a campanha do presidente da Fiesp e então candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf. Os outros R$ 4 milhões foram repassados a Padilha. O ministro da Casa Civil era responsável por distribuir o dinheiro para outras campanhas do partido.

Temer já havia sido citado em delações, mas não de forma tão direta. Em agosto, a Veja já havia noticiado que o presidente havia pedido dinheiro em um jantar com Odebrecht e Padilha, em maio de 2014, no Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-presidência. Em nota, Temer repudiou ;com veemência as falsas denúncias; do executivo e disse que as doações foram declaradas ao TSE (leia mais ao lado).

Caixa dois

Com o início da divulgação dos depoimentos dos delatores da Odebrecht, a classe política começa a viver momentos de tensão. Segundo os empreiteiros, conforme reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, Geraldo Alckmin também foi beneficiado com dinheiro de caixa dois da construtora. Segundo a delação, para a campanha de 2010, empresários entregaram R$ 2 milhões em espécie ao empresário Adhemar Ribeiro, irmão da primeira-dama, Lu Alckmin. O dinheiro teria sido repassado no escritório do próprio Ribeiro, em São Paulo. De acordo com a delação, Alckmin também recebeu dinheiro da empresa para a campanha à reeleição em 2014.

Outro tucano, José Serra, também teria recebido recursos ilegais da empresa para a campanha presidencial de 2010. De acordo com o depoimento de Carlos Armando Paschoalo, ex-diretor da empreiteira em São Paulo, foram repassados cerca de R$ 23 milhões à campanha do atual ministro das Relações Exteriores.

Outros integrantes da cúpula do governo de Temer ainda são citados na delação. Um deles é o secretário-executivo do Programa de Parceria de Investimento, Moreira Franco. Outro citado é o ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, que deixou o governo no último dia 19, alvo de denúncias de tráfico de influência pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero. O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), e o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), também são mencionados e negam terem recebido dinheiro ilegal.

A delação ainda atinge integrantes da época do governo do PT. O próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva consta em um dos depoimentos. Segundo os executivos, a construção da Arena do Corinthians teria sido um presente ao ex-presidente. Aparecem ainda nas delações premiadas como beneficiários de dinheiro ilegal o ex-tesoureiro do PT João Santana, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, e a senadora e ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR). Segundo a Revista Istoé, Gleisi teria recebido R$ 4 milhões para a campanha ao governo do Paraná, em 2014, a mando da então presidente Dilma Rousseff. Ontem, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cláudia Lamachia, pediu esclarecimentos rápidos acerca dos repasses feitos pela Odebrecht.

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