Bufê fechado e risco de calote

Bufê fechado e risco de calote

Empresa do Park Way acumula irregularidades, como falta de licença sanitária e de responsável técnico e precárias condições de higiene. Clientes temem calotes com os eventos pagos antecipadamente

» THIAGO SOARES
postado em 10/12/2016 00:00
 (foto: Hugo Gonçalves/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Hugo Gonçalves/Esp.CB/D.A Press)


A história se repete em Brasília. Desta vez, noivos estão preocupados com a situação de um serviço de bufê do Park Way. Na última quarta-feira, os donos fecharam as portas do Buffet La Provence, após a Vigilância Sanitária constatar irregularidades no local. O detalhe é que funcionários e clientes não foram avisados da suspensão das atividades. O receio é de que os eventos agendados até a metade de 2017 sofram prejuízos. Casais e comissões de formaturas registraram ocorrência, e a Polícia Civil investiga o caso.

O casamento da contadora Larissa Karkour, 25 anos, com o chefe de cozinha Fábio Marques está marcado para o próximo 10 de junho. ;Fechamos o contrato em março e pagamos 50% do valor do contrato;, detalha ela. A agonia maior, segundo Larissa, é porque, antes do fechamento da empresa, não ocorreu nenhum comunicado por parte dos empresários. ;Tínhamos boas indicações. Essa falta de comunicação é um indício de ter algo errado. A informação é que, na próxima semana, entrarão em contato conosco, mas, mesmo que eles garantam que prestarão o serviço, vou cancelar o contrato, pois não tenho mais confiança;, afirma.

Apesar de fechado, a movimentação era intensa ontem no salão de festas do Buffet La Provence. Na porta, vários caminhões descarregavam mesas, cadeiras e demais peças de decoração. Do lado de dentro, alguns funcionários de outro serviço de bufê organizavam o local. Um cerimonialista e fotógrafo teve de correr contra o tempo para garantir o recebimento dos 130 convidados de 20 alunos do ensino médio de uma escola de Vicente Pires. ;Os pais ligaram desesperados para saber da situação. Para eles não ficarem no prejuízo e garantir o sonho dessas famílias, contratamos um bufê de emergência para fazer o serviço. As chaves, nós pegamos com um dos funcionários;, explicou Maxwel Santana. Ele disse que, assim como funcionários e clientes do La Provence, também foi pego de surpresa. ;Não imaginávamos isso.;

No site, a empresa apenas postou uma nota, pedindo para que ;todos os clientes com contrato vigente entrem em contato a partir da próxima segunda-feira por meio de um e-mail para tratar de assuntos do seu interesse;. Nos telefones disponibilizados, ninguém atende. O escritório do Setor Comercial Norte está fechado. Desde quinta-feira, ninguém aparece. Além dos clientes, funcionários ficaram prejudicados e estão sem saber se receberão os salários atrasados. O La Provence tinha mais de 30 funcionários com carteira assinada em diversas áreas, como recepção, cozinha e serviços gerais. Muitos estão sem receber há quase cinco meses. ;Não fomos comunicados de nada. Apenas encontramos o local fechado e ficamos sabendo que eu dono sumiu. A informação é que ele passou mal e foi para São Paulo para ser atendido por um primo;, comentou um garçom freelancer, que preferiu não se identificar.

Processo

A Secretaria de Saúde confirmou, por meio de nota, que o bufê teve as atividades suspensas por tempo indeterminado devido a diversas irregularidades constatadas durante inspeção. Segundo o órgão, o estabelecimento fica em área residencial do Park Way e estava com a licença sanitária vencida. Além disso, não havia responsável técnico, como engenheiro de alimentos ou nutricionista. As condições de higiene também não eram satisfatórias. ;A Diretoria de Vigilância Sanitária informa, ainda, que, devido à suspensão das atividades, nenhum evento pode ser realizado, e a empresa se comprometeu a cumprir a medida. Caso essa norma seja infringida, o local é passível de interdição e será expedido auto de infração por quebra de atos emanados pela autoridade sanitária, que forma um processo administrativo e gera multa;, detalhou o texto.

Para os clientes, foi dito que os donos do bufê são Antônio Carlos Costacurta Cicozzi e a mulher dele, Liliane Cicozzi. O Correio apurou que Antônio Cicozzi teve um problema cardíaco e viajou para Ribeirão Preto. Além das vítimas, um dos sócios da empresa prestou denúncia formal sobre o desaparecimento de equipamentos de cozinha da empresa.


Memória

Junho de 2016

Um grupo de 30 noivas entrou na Justiça contra um fotógrafo da cidade, após não receberem as imagens previstas em contrato. O calote, segundo elas, chegaria a R$ 75 mil.

Maio de 2015

O que era para ser a realização de um sonho se transformou em caso de polícia, quando várias noivas com casamento marcado procuraram as delegacias do DF. As vítimas registraram ocorrência contra a empresa de decoração e fotografia de eventos de Chrisanto Lopes Netto Galvão, na Quadra 303 do Sudoeste. O caso segue na Justiça.

Janeiro de 2014
Depois de cerca de 20 anos atuando no mercado brasiliense, a Marina Bolos e Doces fechou as portas. As noivas que assinaram contrato com a proprietária ficaram sem esclarecimentos. Uma delas teve problemas 15 dias antes do casamento. Havia pagado bolo, doces e a maquete.

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