A negativa a Imbassahy

A negativa a Imbassahy

postado em 10/12/2016 00:00



Um dia após um grupo de parlamentares ameaçar travar a votação de matérias importantes na Câmara, o presidente Michel Temer negou recuo e afirmou que nunca chegou a convidar oficialmente o líder do PSDB na Casa, Antonio Imbassahy (BA), para suceder o ex-ministro Geddel Vieira Lima na Secretaria de Governo. A eventual nomeação do deputado para o cargo gerou reação do Centrão, grupo informal de 13 partidos pequenos e médios na Câmara, que viram a atitude como um gesto de interferência do governo na disputa pelo comando da Casa no ano que vem.

Em sua primeira viagem ao Nordeste, Temer afirmou ter cogitado o nome de Imbassahy para o cargo, mas negou tê-lo convidado oficialmente. Disse, porém, que ainda pode aproveitar o líder tucano no governo. ;Apenas noticiou-se que ele já tinha sido convidado e não tinha ainda sido convidado. Mas eu tenho o maior apreço pessoal por ele, conversarei com ele, um dia vou aproveitá-lo no governo, não tenho a menor dúvida disso;, disse. ;Mas tudo isso tem o momento certo e o momento certo, será definido pelos diálogos que eu terei ao longo do tempo;, ponderou.

O presidente chegou a sondar Imbassahy para o cargo, mas, depois da reação do Centrão, decidiu deixar para a semana que vem a decisão sobre a pasta. A ideia de Temer é contemplar o PSDB, fiel da balança do governo, no cargo. Imbassahy foi sugerido após conversas com o presidente tucano, Aécio Neves (MG), e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Diante da reação, Temer recuou e promoverá conversas ao longo da semana para decidir quem colocará no lugar. A intenção é continuar com a ampliação de espaço para o PSDB. Estão na bolsa de apostas o senador José Anibal (SP) e o senador Antonio Anastasia (MG), ligado a Aécio. Imbassahy, porém, não foi totalmente descartado. O ex-ministro Geddel Vieira está atuando na escolha do sucessor.

Temer fez ontem a primeira viagem ao Nordeste e passou por Surubim e Floresta, em Pernambuco, em que anunciou investimentos para obras no agreste. Em seguida, concluiu a viagem em Fortaleza, em que teve reunião para tratar da renegociação de dívidas com o Banco do Nordeste. O evento foi fechado. Assessores de Temer temiam protestos na região, reduto eleitoral do PT. (JC)

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