Muito mais letal do que a dengue

Muito mais letal do que a dengue

postado em 10/12/2016 00:00
 (foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)
A Chikungunha tem um potencial para provocar epidemia maior e mais grave do que todas as que foram causadas pela dengue no país até hoje. O vírus é mais agressivo, se espalha de forma mais rápida, é suspeito de causar mais mortes e, a exemplo do zika, pode ser transmitido da mãe para o feto durante a gestação, afirmam especialistas. %u201CHá ainda muitas perguntas a serem respondidas, mas não há dúvidas de que a epidemia por esse agente pode provocar estragos até então nunca vistos com a dengue%u201D, diz o epidemiologista André Ricardo Ribas Freitas, da Sociedade Brasileira de Dengue e Arborivoroses. Dados preliminares da mortalidade em Estados atingidos pela chikungunha neste ano indicam uma mudança no patamar das taxas de mortalidade, afirma Freitas. Se comprovado, esse aumento deverá repetir um padrão que já foi identificado em outros lugares que também tiveram epidemia de chikungunha, como Ilhas Maurício, Reunião e Ahmedabad, na Índia. No caso da Ilha Reunião, foram identificados 33 casos a mais de mortes, a cada 100 mil habitantes. %u201CQuando a chikungunha chegou ao Brasil, em 2014, o que se dizia era que o vírus era menos letal do que a dengue. A experiência mostra o contrário%u201D, completa o epidemiologista. O professor da Universidade Federal de Pernambuco Carlos Brito tem avaliação semelhante. %u201CO cenário é muito preocupante. Sobretudo em razão do potencial de mortes provocadas pela doença.%u201D No estado de Brito, Pernambuco, foram relatados até o momento 369 casos de mortes associadas a arboviroses (aí incluídos dengue, zika e chikungunha). Dos registros suspeitos, 145 foram investigados e em 110 foi identificada a presença do chikungunha. O número supera, em muito, a maior marca contabilizada em Pernambuco, em 2013: 37 óbitos. %u201CEm outros países, as taxas de morte são de 1 caso para cada 1 mil pessoas doentes%u201D, diz Brito. Pode parecer pouco, mas não diante do potencial de ataque da doença. %u201CEm todas as comparações que são feitas com dengue, o chikungunha se mostra mais agressivo%u201D, completa. A começar pela rapidez na transmissão. O Aedes aegypti apresenta comportamento diferente para transmissão de chikungunha, dengue e zika. O tempo de incubação (o período entre o mosquito ter contato com o vírus e ser capaz de transmiti-lo) é menor no caso da chikungunha, quando comparado com dengue. O mosquito leva em torno de 6 a 11 dias para passar a transmitir dengue. No caso da chikungunha, bastam de dois a cinco dias. %u201CIsso faz com que a velocidade da expansão da epidemia seja muito mais rápida do que a de dengue%u201D, conclui o epidemiologista. Além de um período de incubação menor, o chikungunha é transmitido com maior facilidade do que a dengue. O Aedes aegypti não transmite o vírus em todas as picadas. Em palestra dada no Ministério da Saúde, a pesquisadora do Laboratório de Doenças Febris Agudas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Patrícia Brasil, afirmou que o mosquito transmite o chikungunha em 70 a cada 100 picadas realizadas. Há ainda muitas perguntas a serem respondidas, mas não há dúvidas de que a epidemia por esse agente pode provocar estragos até então nunca vistos com a dengue%u201D, André Ricardo Ribas Freitas, epidemiologista

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