Inflação de novembro é a menor desde 1998

Inflação de novembro é a menor desde 1998

» HAMILTON FERRARI *
postado em 10/12/2016 00:00
 (foto: Marlla Sabino/CB/D.A Press)
(foto: Marlla Sabino/CB/D.A Press)


A inflação deu uma trégua em novembro, com a menor alta para o mês desde 1998. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou e subiu 0,18%, frente ao aumento de 0,26% de outubro. Com o resultado, acumula 6,99% em 12 meses, surpreendendo os analistas de mercado, que agora preveem uma variação dentro do teto da meta, de 6,5%, no fim deste ano. A queda da taxa deve contribuir para a aceleração da política de corte de juros do Banco Central (BC), que diminuiu a Selic em 0,25 ponto percentual no fim de outubro.

Flávio Serrano, economista sênior do banco de investimentos Haitong, avaliou que o comportamento recente do IPCA é tão favorável que pode fechar o ano dentro do limite da meta. ;Projetamos 6,55% no ano, mas, não será surpresa a leitura ficar abaixo do teto;, disse.

Alimentos e bebidas puxaram o resultado do mês para baixo, com recuo de 0,2%. Nos últimos meses, a aposentada Carmen Caballero, 57 anos, viu a quantidade de produtos no carrinho diminuir e a conta subir. ;É inevitável abrir mão de algumas coisas da lista. Só levo o que é necessário;, lamentou. Na mesa, alguns produtos foram substituídos por opções mais baratas. ;O feijão carioquinha ficou muito caro. Então, escolho pelo preço. O arroz também subiu bastante. É difícil levar o básico para casa;, argumentou.

O grupo de artigos para residência também caiu em novembro, 0,16%. Grupos como alimentação fora de casa, habitação, vestuário e transporte perderam força em comparação com a inflação de outubro. Entre os vilões, estão os preços de saúde e cuidados pessoais, com alta de 0,57%, e despesas pessoais, que subiram 0,47%.

Goldfajn defendeu que a política econômica tem sido efetiva e lembrou que, no fim de 2015, a inflação estava em 10,7%. ;Recentemente, a inflação corrente tem surpreendido favoravelmente, com movimento mais disseminado do que apenas a reversão de preços de alimentos;, alegou.

André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), disse ser bem provável que o BC dê um corte maior nos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em janeiro. ;O recuo pode vir na casa de 0,5 ponto percentual;, analisou.

*Estagiário sob supervisão de Rozane Oliveira

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