Produto sustentável vai ganhar espaço em 2017

Produto sustentável vai ganhar espaço em 2017

Pesquisa de mercado da Mintel conclui que a crise levará pessoas a comprar com mais cautela, priorizando gastos com mercadorias que não agridam o meio ambiente. Reforma da Previdência iminente deve incentivar procura por alimentos saudáveis

» RODOLFO COSTA
postado em 10/12/2016 00:00
 (foto: Marlla Sabino/CB/D.A Press)
(foto: Marlla Sabino/CB/D.A Press)


Os hábitos de consumo das famílias estão em constante adaptação. E, em 2017, não será diferente. Principalmente após um ano de forte crise econômica, os consumidores vão gastar com mais cautela e deixar de comprar por impulso, aponta uma pesquisa da agência de inteligência de mercado Mintel. Além da consciência com o orçamento, as pessoas priorizarão gastos com produtos saudáveis e marcas que explorem a ética e sustentabilidade. A ideia é simples, sobretudo para os consumidores com 55 anos ou mais: viver mais, melhor, e ajudando a fazer o bem à sociedade.

A reforma da Previdência é outro ponto que deve incentivar os consumidores a mudarem os hábitos. Com a preocupação de quando e em que condições de saúde estarão aposentados, muitos procurarão seguir uma dieta balanceada e livre de produtos gordurosos, avalia Graciana Méndez, analista de tendências da Mintel. ;O constante avanço da medicina permitirá que as pessoas vivam mais. Mas muitas estão com sobrepeso ou obesas. Por isso, a procura por um controle sobre a própria saúde está encorajando os brasileiros a estabelecerem normas mais saudáveis para estarem bem ao aposentar;, ponderou.

Entre os entrevistados, 30% desejam uma diversidade maior de produtos saudáveis. Não apenas itens light ou orgânicos, mas também sem glúten e sem lactose. Em 2017, Graciana acredita que a tendência se tornará ainda mais relevante e disseminada entre segmentos, de maneira que o desejo por um padrão de vida melhor também se estenda a setores como beleza, higiene pessoal e produtos de limpeza.

A alimentação saudável, aliada à prática de exercícios físicos diários, é a aposta da aposentada Sônia Cruz, 60 anos, para ter mais disposição e saúde melhor. ;É qualidade de vida;, destacou. No carrinho de compras, não faltam queijos magros, pães integrais, castanhas e leite desnatado. ;São produtos que custam mais caro, mas que não abro mão. É uma pena que nem todos possam ter acesso;, disse. A preocupação dela com a saúde, contudo, não é recente. ;Sempre preferi manter uma alimentação balanceada;, afirmou.

O rigor pelo consumo saudável também é priorizado pela comerciante Maria Divina da Luz Benevuto, 65, que é criteriosa na hora da escolha dos produtos que coloca no carrinho. ;Sei que é muito psicológico, mas o corpo responde. Sinto-me melhor, mais leve e mais disposta para o dia a dia;, argumentou. Apesar da conta mais cara no fim do mês com o consumo de bebidas lácteas light ou sem lactose, ela avalia o custo como um investimento em saúde. ;Gosto dos sucos integrais e dos que faço da fruta. Vejo muitos jovens não se preocupando com isso hoje. Sempre que tenho opção opto pelo mais natural;, justificou.

Não é só com a alimentação que pessoas da faixa etária de Sônia Cruz e Maria Divina se preocupam. De acordo com a Mintel, 26% dos idosos tentam cuidar de si mesmos. Como muitos continuam a trabalhar mesmo após a aposentadoria, há uma preocupação em estar com um visual agradável e consumindo produtos de beleza que acompanhem o estilo de vida ativo. Afinal de contas, a terceira idade está e continuará procurando em 2017 maneiras de levar uma vida ativa, moderna, e independente, afirma Graciana.

Sustentabilidade

A pesquisa da Mintel ainda destaca que os consumidores estão mais engajados com assuntos ecologicamente corretos. Dos consultados, 29% preferem comprar marcas que tenham práticas sustentáveis e 39% reciclariam mais se houvesse mais incentivo. Esse pensamento é, na análise de Graciana, parte de valores das campanhas de marcas que se destacam pela responsabilidade social e ética. ;Os consumidores têm uma opinião positiva de empresas que ajudam as pessoas e querem participar disso;, observou. Por linhas tortas, a crise, ao menos, teve um efeito positivo. Segundo a Mintel, 47% dos consumidores estão pensando mais em como gastar o dinheiro e 35% pararam de comprar por impulso. ;Após uma recessão tão intensa, virou um aprendizado que não mudará a curto prazo;, acrescentou a analista.

  • Ceticismo

    O economista-sênior da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes, admite que a mudança de hábitos e um consumo mais saudável é irreversível, mas vê com ceticismo a possibilidade de essa tendência se consolidar já em 2017. ;Não será um consenso entre todos os brasileiros. As classes A e B vão tender a consumir mais produtos saudáveis e sustentáveis. Mas a distribuição de renda no Brasil é muito ruim e ainda haverá um grande número de pessoas desempregadas. Muitos consumidores, sobretudo os de outras classes, vão consumir os alimentos que cabem no bolso. Para esses grupos, não vejo muito espaço de dar um estalo e consumir produtos mais naturais ou sustentáveis;, avaliou.

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