Santos recebe prêmio e impulsiona acordo

Santos recebe prêmio e impulsiona acordo

postado em 10/12/2016 00:00
 (foto: Heiko Junge/AFP)
(foto: Heiko Junge/AFP)



O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, recebe hoje o Prêmio Nobel da Paz como ;um incentivo; para levar adiante o acordo negociado com o principal movimento guerrilheiro do país, após meio século de luta e mais de 260 mil mortos. ;Este prêmio foi como um presente dos céus e é um enorme incentivo para conseguirmos esse novo compromisso;, disse Santos à imprensa, ontem, em Oslo. A capital da Noruega, que hospeda a cerimônia, foi também o ponto de partida para as negociações entre o governo de Bogotá e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 2012.

Falando em inglês na sede do Instituto Nobel, o mandatário disse ter recebido ;um mandato da comunidade internacional; para concluir o processo de paz. A primeira versão do acordo, assinada com grande festa em Cartagena, em setembro passado, foi rejeitada em plebiscito no início de outubro ; por uma diferença na casa de 50 mil votos, menos de 0,5% do total. Em consequência, governo e guerrilha voltaram à mesa e emendaram o texto inicial, obtendo o aval do Congresso.

O anúncio do Nobel, feito cinco dias depois da derrota nas urnas, serviu como estímulo às delegações no retorno a Havana, que abrigou as conversações por quase quatro anos, a partir de novembro de 2012. ;Os cidadãos colombianos interpretaram o prêmio como se fosse um mandato da comunidade internacional para perseverar e obter um acordo de paz;, disse o presidente. ;Para eles, ajudou muito. E me encorajou, encorajou os nossos negociadores. Mas, particularmente, incentivou os colombianos a buscar uma solução.;

Santos procurou responder a questionamentos sobre a ausência de representantes dos rebeldes na numerosa comitiva que o acompanhou à capital norueguesa ; incluídas a ex-senadora Ingrid Betancourt e a atual deputada Clara Rojas, ambas reféns da guerrilha por longos anos. A concessão do prêmio apenas ao presidente já motivara reparos, por ter ignorado uma das partes do conflito e da pacificação. ;Eu não queria expor o governo norueguês a problemas;, explicou o presidente, lembrando que as Farc figuram em listas de organizações terroristas de alguns países, e seus dirigentes ;não estão livres para ir a qualquer lugar;. ;Não seria apropriado. Eles estarão aqui de coração e de espírito.;

O presidente receberá o prêmio na prefeitura de Oslo, na presença do rei Harald e da rainha Sonia, e aproveitou a entrevista coletiva para agradecer nominalmente aos países avalistas do processo de paz. ;Tudo isso tornou-se possível por causa da comunidade internacional;, afirmou Santos. ;A Noruega jogou um papel importantíssimo, como um dos países avalistas, ao lado de Cuba, que foi nosso anfitrião e sede das negociações;, exaltou. ;A paz era um sonho impossível até há alguns anos, e agora a temos ao alcance.;

Com a ratificação do acordo no Congresso, ;por amplíssima maioria;, o presidente colombiano espera apenas que a Corte Constitucional coloque em prática o procedimento de ;via rápida; para dar início à implementação dos termos ;o mais rapidamente possível;. O texto dá prazo de 60 dias para o desarmamento completo das Farc, que passarão a atuar como partido político.

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