Delegado na mira do Ministério Público

Delegado na mira do Ministério Público

» Luiz Calcagno
postado em 10/12/2016 00:00
 (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press - 2/2/16)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press - 2/2/16)

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou o delegado da Polícia Civil Rodrigo Pereira Larizzatti, chefe da 33; Delegacia de Polícia (Santa Maria), por crimes de prevaricação, sonegação de documento público e desobediência. Segundo a denúncia do Núcleo de Investigação e Controle Externo da Atividade Policial (Ncap), o delegado teria atrasado a instauração de uma investigação de abuso sexual ao questionar o órgão sobre quais seriam as diligências necessárias e, posteriormente, teria ocultado documentos da investigação solicitados por promotores. Em outro caso, após uma queixa de violência contra a mulher em 31 de julho, segundo os promotores, Larizzatti teria deixado de instaurar um inquérito e providenciar medidas protetivas à vítima e aos filhos dela. Por meio de nota divulgada pela corporação, o delegado, que é chefe da unidade, informou que não foi ouvido em nenhum momento pelo Ministério Público antes da oferta da denúncia.

Segundo o Ministério Público, o delegado não estaria presente na delegacia em 13 de outubro, data do registro da ocorrência de violência doméstica. No mesmo momento, de acordo com a denúncia, estaria em campanha à presidência da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol). Os promotores alegam que, ao tomar tal atitude, Larizzatti incorreu em crime de prevaricação, pois a iniciativa caracterizaria interesse privado. Ele defende, no entanto, em nota apresentada pela corporação, que a vítima foi atendida na Seção de Atendimento à Mulher da DP e que funcionários tomaram todas as providências necessárias. Confirmou ainda que se ausentou para ;participar de uma reunião associativa, assim como inúmeros delegados de polícia;. Consta na nota divulgada pela Polícia Civil, ainda, que o delegado atua sozinho como chefe da 33; DP desde setembro e que trabalhou no período de férias oficialmente marcadas. A ausência para a reunião não configuraria interesse pessoal, mas o exercício do direito de participar de uma reunião associativa de entidade de classe.

O delegado também teria incorrido em desobediência ao, supostamente, descumprir uma determinação do MPDFT para instaurar um inquérito com base em uma denúncia anônima sobre abuso sexual. Ele afirma, no entanto, que não descumpriu a requisição, apenas ;retornou o documento, solicitando que o promotor indicasse quais eram as diligências que gostaria que fossem realizadas;. A Adepol e o Sindepo divulgaram uma nota de repúdio às acusações do MPDFT, confirmando as afirmações do delegado. No texto, eles ressaltam que o delegado chefia sozinho a 33; DP, pois o adjunto está de licença médica. ;Em que pese a carência de recursos humanos e materiais que assola a Polícia Civil do Distrito Federal, o inquérito policial, cuja instauração foi requisitada, foi devidamente instruído e trabalhado, inclusive com diversas diligências cumpridas.; A reportagem tentou contato com o delegado por telefone e por e-mail, mas ele não havia respondido as mensagens até o fechamento desta edição.









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