Que rumo devo seguir?

Que rumo devo seguir?

Coaching, hipnose, programação neurolinguística, autoajuda. São muitos os recursos empregados hoje para atingir o sucesso na profissão, o autoconhecimento e a satisfação pessoal. Quem adere a esses métodos facilmente se encanta com os resultados. Mas há quem alerte para o risco de se buscar fórmulas prontas

Por Gláucia Chaves
postado em 11/12/2016 00:00
 (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
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(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )

A profissão, que antes era a motivação para começar o dia, já não empolga mais. Os problemas sentimentais parecem pesar no peito, enquanto as dores de cabeça, frutos do estresse, não dão sossego. Os problemas descritos são comuns e compartilhados; a dificuldade é lidar com eles. O resultado disso é uma explosão de métodos e tratamentos que prometem potencializar habilidades, alcançar o tão sonhado equilíbrio emocional, aumentar a concentração e o foco, entre muitas outras coisas. A procura por serviços motivacionais parece acompanhar a busca por autoconhecimento, mas saber a hora de ;desmamar; dos treinadores de habilidades é importante para aprender a andar com as próprias pernas. Afinal, precisamos mesmo de tutores para tudo?

A necessidade de orientação, especialmente profissional, segundo Vladimir Melo, especialista em psicologia clínica e mestre em psicologia pela Universidade Católica de Brasília, tem vários motivos ; que vão desde uma vontade momentânea de alcançar um determinado objetivo até uma necessidade mais preocupante de apoio psicológico. ;Além disso, não é possível dizer se isso é uma necessidade real do indivíduo ou se é uma demanda criada pela mídia, que há muito tempo inunda a sociedade com ;receitas de bolo;;, comenta.

O problema é que tais receitas, segundo o psicólogo, atingem um público que precisa de ajuda especializada, já que a necessidade não se resumiria unicamente à motivação. ;Pensando nisso, a formação desconhecida de um coach deve ser encarada como um perigo diante da vulnerabilidade psicológica de certas pessoas;, alerta. O conceito adotado pela sociedade atual sobre o que é sucesso ; ser sempre o melhor, com o salário mais alto e, de preferência, em um cargo de chefia ; também é apontado pelo especialista como uma possível explicação para a cada vez mais voraz busca por serviços personalizados.

Para cada problema e pessoa, há uma solução mais adequada. Os livros de autoajuda, por exemplo, seriam voltados para pessoas interessadas em alcançar um crescimento pessoal, segundo Vladimir Melo. Já o coaching teria como proposta algo mais profundo, em que o indivíduo fará uma análise de sua situação atual e uma projeção de onde quer chegar. ;Não é possível falar objetivamente sobre ganhos psicológicos, sobretudo depois que o Conselho Federal de Psicologia emitiu uma nota de esclarecimento, alertando para a diferença entre as práticas psicológicas e o coaching;, pondera Melo. (Veja quadro). ;Como essa prática ainda não é legalizada no Brasil e, portanto, não tem um conselho fiscalizador, não conhecemos bem os limites da prática, nem temos acesso às avaliações dos seus procedimentos e técnicas.;

Diante de um mercado cada vez mais competitivo, a oferta de serviços individualizados, segundo Vladmir Melo, ;tem criado na sociedade a ideia de que o sucesso está associado a um método sob medida;. ;Esse tipo de serviço costuma ser apresentado como um diferencial para uma performance acima da média;, completa. ;Por isso, não se pode dizer que a busca por essa ajuda específica está necessariamente relacionada à autoestima, mas, sem dúvida, é de grande conveniência para pessoas inseguras e sem iniciativa para organizar as próprias atividades.;

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