Capa 2

Capa 2

postado em 11/12/2016 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
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(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
Seja coaching, seja livros de autoajuda, seja assistindo a vídeos motivacionais, o fato é que, cada vez mais, as pessoas procuram formas de se entender e compreender as mudanças que acontecem ao longo da vida. A programação neurolinguística, abreviada como PNL, foi a forma escolhida por Régis Amorim, 37 anos. A PNL é basicamente uma técnica que busca desvendar as estruturas internas de pensamento e emoção que levam a cada comportamento. A lógica é que, para mudar de atitude, é preciso entender por que eles acontecem e de onde eles vêm. A teoria o encantou. ;Comecei a me interessar por ferramentas de desenvolvimento humano porque estava buscando melhorias pessoais;, detalha o gerente de projetos.

Em 2008, Régis embarcou para os Estados Unidos para fazer um curso de formação em PNL. À época, ele e a mulher planejavam o primeiro filho. Um dos principais objetivos do treinamento, segundo ele, foi fortalecer o lado emocional antes da paternidade. ;Queria ter recursos para dar educação e suporte emocional (para a criança), que é uma das coisas mais importantes da vida, mas que ninguém ensina;, justifica. Os recursos que adquiriu, contudo, não foram úteis apenas no planejamento familiar. Aos poucos, colegas de trabalho e amigos começaram a perguntar mais sobre o método que havia melhorado tanto a vida de Régis. ;Comecei a ajudar uma série de pessoas próximas por dois anos até que comecei a ter demanda de pessoas que eu nem conhecia;, relembra.

A procura pelo PNL incentivou Régis a investir mais fundo na atividade. Ele se profissionalizou e, atualmente, trabalha também com neuroaprendizagem (técnica que leva em conta padrões de aprendizagem). Fobias, autossabotagem, busca por objetivos e o impacto dos fracassos são os temas que mais levam as pessoas à porta de Régis. ;O grande diferencial dessa técnica, para mim, foi a quebra de crenças limitantes;, comenta. ;Às vezes, temos questões no nosso modelo mental que fazem com que tomemos as mesmas atitudes. Consequentemente, temos os mesmos resultados. Quando você se dá conta dessa crença, percebe seus padrões de erros.;

No caso de Régis, o maior obstáculo para o seu sucesso era o pensamento ;eu não consigo;. ;Eu me deparava com as dificuldades e não tentava o suficiente;, resume. Pensando nisso, seu maior foco de estudos foram os padrões de sucesso: o que as pessoas vitoriosas tinham em comum? Geralmente, elas trocam o ;não consigo; por ;não tentei o suficiente;. Um dos grandes impeditivos de uma vida mais leve e prática, segundo Régis, é acreditar que o que sentimos é fruto do ambiente ; sabe aquela pessoa que sempre ;te irrita;? ; e não de uma interpretação pessoal do que acontece ao redor. ;Nós não aprendemos como as emoções se formam, como acontecem os padrões emocionais. O processo emocional é de dentro para fora. Os fatos são objetivos, a gente é que gera nossas emoções.;

Os mecanismos de insegurança atuam, principalmente, quando estamos prestes a tomar decisões importantes na vida. O sentimento, explica Cláudio Meneghillo Martins, psiquiatra e diretor-secretário da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), é perfeitamente natural. ;Sempre que passamos para uma nova etapa, não estamos totalmente preparados ainda, pois, antes da mudança, estamos na zona de conforto;, detalha. ;Antes de sermos promovidos, por exemplo, bate uma angústia interna e, para algumas pessoas, esse estresse simplesmente não é tolerável.; Acontece que o estresse é como um elástico: para alguns, estica quando puxado. Para outros, arrebenta. ;Isso não quer dizer que uma pessoa é melhor que a outra. Só temos que nos adaptar aos nossos limites;, compara o médico. De nada adianta, por exemplo, forçar uma pessoa que não tem perfil empreendedor a abrir uma empresa.



Quem busca uma maneira de alcançar a tal alta performance pessoal, mais cedo ou mais tarde, dará de cara com o coaching. Estigmatizado por uns e endeusado por outros, o método tem como mote o autogerenciamento. Uma vez que o indivíduo descobre quais são suas capacidades, tem condições de traçar metas para alcançar seus objetivos. Os propósitos podem ser os mais variados possíveis: de mudar de profissão a aprender a arrumar o armário, há coaches para todo tipo de demanda. Mari Lannes, representante da Sociedade Brasileira de Coaching em Brasília, explica que o método não é uma terapia, não tem a ver com psicologia, não é um aconselhamento, consultoria e muito menos autoajuda ; título que os adeptos, aliás, abominam. ;É um conjunto de procedimentos e ações para que a pessoa possa atingir uma meta;, define.

No coaching, a ideia é que o cliente seja ;levado a buscar novos entendimentos e alternativas para ampliar realizações e conquistas;, segundo Lannes. O indivíduo é estimulado a pensar no futuro mais do que em processos do passado. ;São reflexões para que essa pessoa possa atuar de forma segura no mundo em que vive, tanto na vida profissional quanto pessoal;, completa. A profissão, contudo, ainda não é legalizada, o que gera preconceito até entre alguns professores que adotam o método. ;Existem certificações de órgãos independentes. O preconceito existe, mas é mais por causa de pessoas que falam que são coaches sem estudar.;

Não raro, quem adere ao método se envolve tanto que acaba fazendo parte dele. É o caso de Luciana Glasner, 40 anos. O aconchego da zona de conforto traz segurança, mas, ao mesmo tempo, uma monotonia que nem sempre é sinônimo de felicidade. Para ela, a urgência de mudar acabou ficando maior que a tranquilidade de saber o que vai acontecer. Luciana era instrutora e dona de um estúdio de pilates quando engravidou há três anos. Ela se programou para permanecer afastada do trabalho por um ano após o nascimento do filho, Bento Glasner Basilio. Quando a hora de voltar ao batente chegou, contudo, tudo parecia confuso e sem sentido. ;Era como se eu não fizesse mais parte da empresa;, descreve.

Eis que uma aluna vem com uma possível solução: recém-formada em um curso de coaching, ofereceu seus serviços a Luciana em troca de experiência. A empresária aceitou ser cobaia. ;Comecei a enxergar a minha situação, como estava a minha vida naquele momento e encontrei uma forma de voltar;, resume. As mudanças, ela garante, não se deram apenas no âmbito profissional ; uma vez que a própria empresa passava por um período delicado financeiramente. Com a cabeça tranquila, Luciana conseguiu se organizar e planejar uma forma de reerguer seu negócio. Na vida pessoal, tudo também voltou, aos poucos, a se encaixar.

A experiência foi tão boa que Luciana resolveu continuar por esse caminho: investiu em um curso para ser, também, coach. Hoje,

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