CNI espera retomada lenta

CNI espera retomada lenta

Confederação Nacional da Indústria conta com crescimento do PIB de 0,5% o próximo ano. Presidente da entidade comemora aprovação da PEC do teto de gastos, mas vê apenas início de uma fase de estabilização

» RODOLFO COSTA
postado em 14/12/2016 00:00
 (foto: José Paulo Lacerda/CNI - 16/12/14)
(foto: José Paulo Lacerda/CNI - 16/12/14)


A recuperação da economia será lenta no próximo ano. É o que prevê a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade projeta um ligeiro crescimento, de 0,5%, para o Produto Interno Bruto (PIB). Será algo a comemorar após uma queda de 3,6%. Mas mostra que o setor está mais pessimista que o restante do mercado. As últimas avaliações dos agentes econômicos, segundo boletim Focus, divulgados na segunda-feira pelo Banco Central (BC), é que a queda este ano seja de 3,5%. Para 2017, a mediana atual é de 0,7%.

O presidente da CNI, Robson Andrade, não tem esperanças de crescimento robusto para 2017. ;Temos expectativa de que vamos partir para um ano de estabilização;, disse. O pacote de estímulo à economia, que prevê, entre outras medidas, a liberação de até R$ 30 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o abatimento de dívidas com instituições financeiras, tampouco mudará o cenário. ;Apenas deve garantir uma estabilização melhor;, sustentou.

Para a entidade, o cenário será desafiador. Andrade ressalta que, além do rombo de R$ 139 bilhões previsto para as contas públicas em 2017, a demanda na economia seguirá fraca, sobretudo no primeiro semestre. ;Os juros estão extremamente elevados e há uma ociosidade grande nas fábricas. Ainda que a atividade mostre alguma recuperação e o consumo melhore, a retomada de investimentos não será imediata;, destacou.

No ambiente doméstico, a indústria, de fato, não espera uma reação rápida. Tanto que a expectativa para o consumo das famílias é uma queda de 4,5% neste ano e de um pequeno crescimento, de 0,2%, em 2017. A confiança da CNI está em convergência de desaceleração da inflação. A entidade espera que os preços subam 6,6% este ano e 5% no próximo. Diante disso, o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, prevê o início de uma trajetória mais forte de queda da taxa básica de juros (Selic) a partir da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

;Com ajuste financeiro que as famílias fizeram, deve haver melhora nas condições de financiamento e endividamento das famílias. Assim, esperamos uma certa melhora na confiança dos consumidores, em especial à medida em que avança uma redução do medo do desemprego na economia;, ponderou. Somente a redução dos juros, contudo, será insuficiente para transformar uma tímida melhora dos indicadores de confiança em mais consumo e investimentos.

Para recuperar os investimentos, a CNI avaliou que será importante a aprovação de reformas que estão em tramitação no Congresso Nacional. ;Há uma insegurança jurídica que prejudica muito a tomada de decisões, que prejudica os contratos;, destacou. Com menor necessidade de financiamento do governo, disse o economista, esse problema pode ser revertido.

O presidente da CNI, Robson Andrade, destacou que há US$ 13 trilhões de recursos aplicados em títulos a juros negativos de investidores que estariam dispostos a aplicar em bons projetos com rentabilidade adequada. Para ele, alguma parte desse volume poderia vir para o Brasil com o equilíbrio fiscal e a retomada da confiança.

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