Atlético Nacional desde pequenininho

Atlético Nacional desde pequenininho

MARCELO CARDOSO*
postado em 14/12/2016 00:00
 (foto: Toshifumi Kitamura/AFP)
(foto: Toshifumi Kitamura/AFP)



Ignorado no Brasil quando não há times nacionais na disputa, o Mundial de Clubes da Fifa ganhará atenção especial no país a partir de hoje. O Atlético Nacional, da Colômbia, representante sul-americano no torneio, ganhou o carinho e o apoio de vários torcedores brasileiros após as homenagens da torcida e a diretoria do clube depois do trágico acidente com o avião da Chapecoense ; justamente quando os catarinenses iam a Medellín disputar o primeiro jogo da final da Sul-americana contra os atuais campeões da Libertadores. O clube colombiano estreia hoje, nas semifinais, às 8h30, contra o Kashima Antlers, do Japão.

Campeão da Libertadores deste ano com a melhor campanha da primeira fase, o Atlético Nacional chegou à final da Sul-americana como favorito ao título, diante da surpresa de Chapecó, que vinha fazendo história. O time via no título a chance de conquistar um feito inédito no continente: faturar as duas competições continentais no mesmo ano e, automaticamente, a Recopa de 2017. Era a oportunidade perfeita de chegar embalado para enfrentar o maior desafio de sua história, em uma eventual final contra o poderoso Real Madrid, no Japão.

Em 29 de novembro, a véspera do final virou uma das datas mais tristes da história do futebol mundial. Na quarta, dia do jogo de ida, o que era pra ser um duelo decisivo se transformou em uma cerimônia de homenagens que surpreendeu e emocionou um povo abalado pela tragédia. Mais de 44 mil torcedores lotaram o Estádio Atanásio Girardot, em Medellín, no horário e local em que a bola deveria rolar, para cantar em nome da Chapecoense e chorar junto com os brasileiros. No mesmo dia, jogadores e diretoria decidiram, de forma unânime, ceder o título à Chape.

O clube ganhou a admiração dos torcedores brasileiros. Um deles, o flamenguista estudante de Direito na UnB, Tairo Felipe, 25, passou a considerar o Atlético seu segundo time. ;A tragédia com a Chapecoense chocou. Ter visto um clube que nem é do Brasil ajudar muito mais que a própria CBF e times do Brasil, foi muito bacana. O Atlético conquistou esse reconhecimento pela nobreza de suas atitudes;, argumenta.

Segundo ele, a expectativa é de classificação tranquila no jogo de hoje. ;Andei até estudando o Kashima e acho que esse primeiro jogo vai ser fácil. O Atlético joga fechadinho e tem uma bola aérea muito forte, deve se dar bem contra os japoneses. Contra o Real, será muito difícil. Torcida brasileira não vai faltar;, avisa.

*Estagiários sob a supervisão de Marcos Paulo Lima




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