Arraes, a excelência da política

Arraes, a excelência da política

No dia em que o político completaria 100 anos, amigos e eleitores prestam honras ao pernambucano no Congresso

NATÁLIA LAMBERT
postado em 15/12/2016 00:00
 (foto: Arquivo O Cruzeiro/EM/D.A Press - 16/04/1964)
(foto: Arquivo O Cruzeiro/EM/D.A Press - 16/04/1964)


Um político em extinção. Assim, amigos, parentes e colegas de trabalho definem o que foi Miguel Arraes de Alencar, que completaria 100 anos hoje. Ao lado de nomes como Pedro Simon, Tancredo Neves e Ulysses Guimarães, o três vezes governador de Pernambuco está na lista de uma geração de representantes que viviam a política 24 horas. ;Era uma geração formada com instinto público e, que, independentemente das posições que defendiam, tinham os compromissos focados no povo. Pensavam o desenvolvimento do país sem se esquecer da população;, comenta Carlos Siqueira, presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB), sigla da qual Arraes foi presidente.

Nesta semana, eventos prestaram homenagens ao centenário de Arraes em todo o país. Em sessão solene no Congresso, parlamentares destacaram a falta de um político como o ex-deputado estadual e federal em momentos de crise política, institucional e financeira. ;Era um homem de valores, de coerência, que faz muita falta. Há muito tempo não vivemos uma crise com tantas vertentes. O legado dele pode ser uma luz que ilumine nossos caminhos agora;, afirma o ex-governador do Espírito Santo e presidente da Fundação João Mangabeira, Renato Casagrande.

Na visão de quem teve Arraes como um conselheiro político no início da carreira, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), também acredita que o político teria uma visão diferenciada neste momento de instabilidade. ;Arraes foi um político que viveu em comunhão com o povo. Não conheci ninguém que conhecesse tanto a alma do povo como ele. Sem dúvida, sua presença contribuiria muito neste momento para buscar alternativas que unissem a população e buscassem construir juntos alternativas para sair desse momento muito difícil da vida política nacional.;

Equilíbrio
Nascido em 15 de dezembro de 1916, em Araripe (CE), após uma passagem pela então capital federal, Rio de Janeiro, Miguel Arraes mudou-se para Pernambuco ainda na juventude em busca de trabalho. A vida política começou, relativamente tarde, aos 32 anos, como secretário de Fazenda. A partir daí, trilhou um longo caminho sendo eleito deputado estadual em Pernambuco, prefeito de Recife, deputado federal e governador do estado. Uma das principais preocupações era levar desenvolvimento ao Nordeste. Para ele, não era um possível o país crescer sem equilibrar as diferenças regionais internas. Neste propósito, lutou para levar água, luz e direitos trabalhistas para a região. Em suas palavras, ;encontrar a hora e a vez para os brasileiros é tarefa de todos nós, sobretudo dos nordestinos, espalhados que estamos por todo o território nacional.;

;Com o risco de chocar, eu diria que (meu pai) nunca afagou utopias, não entretinha o sonho de sociedades ideais. Movia-o, nos seus inícios, o estado de miséria de sua região e a precariedade de uma nação ainda informe, malconduzida por um estado ausente dos grandes problemas do povo. Cedo adquiriu uma firmeza de valores e de propósito, mas desconfiava das certezas proclamadas. Era um realista;, destacou durante sessão solene José Almino de Alencar e Silva Neto, o primogênito de 10 filhos, ao lado da irmã e ministra do Tribunal de Contas da União, Ana Arraes.





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