Para empresários, retomada exige esforço

Para empresários, retomada exige esforço

» ANTONIO TEMÓTEO
postado em 15/12/2016 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)


As perspectivas de um 2017 ainda desafiador mantêm os representantes dos principais setores da economia em alerta. Para eles, a tendência é de que a recessão seja deixada pra trás no próximo ano, mas que o caminho para que o país volte a crescer ainda será longo.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, destacou que a base para a retomada deve passar por uma agenda positiva que promova o aumento da produtividade e da competitividade do setor, como mudança na política cambial, redução da taxa de juros e apoio à produção doméstica. Os comentários foram feitos durante o evento Correio Debate ; Desafios para 2017, seminário realizado no auditório do Correio Braziliense.

A fim de inserir o país nas cadeias globais de valor, Barbato sugere que as empresas também se tornem espaços de aprendizagem e que se preocupem com a formação e a qualidade do capital humano. ;Temos de melhorar a qualidade do ensino técnico no que tange a inovação e a tecnologia. 30% dos empregos gerados no setor são para profissionais de nível superior;, lembrou.

A intenção do governo federal de liberar parcela do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o pagamento de dívidas foi elogiada pelo presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins. ;Atende a um problema imediato e cria um futuro;, resumiu.

Ele alertou, entretanto, que, se o governo usar dinheiro do FGTS para atividade financeira, faltarão recursos para a construção popular e para o saneamento básico. Na opinião do presidente do Cbic, todos os setores dependem de uma boa infraestrutura. ;Se a infraestrutura não avançar, sofre agricultura, pecuária, comércio, serviços, tudo. Não existe condição de alavancar tudo isso se não mudar a condição macroeconômica;, destacou.

Na opinião do economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, o governo deveria criar linhas especiais de crédito, com recursos compulsórios dos bancos, para ajudar empresas e famílias a pagar dívidas. ;Os bancos estão com excesso de liquidez, mas não querem emprestar porque temem ter prejuízo, devido ao alto grau de endividamento da sociedade. O dinheiro do compulsório está no BC sem remuneração, portanto, tem custo zero;, afirmou ele.

Em sua palestra, Thadeu de Freitas revelou números muito ruins sobre as vendas do comércio, que deve fechar este ano com encolhimento em torno de 6%, pior que a retração de 4,5% do ano passado. Para 2017, ele estima que ainda haverá queda, ;mas será menos ruim do que 2016;. Na análise do economista, o país entrou numa recessão profunda com empresas e consumidores excessivamente endividados, já que antes houve um surto de oferta de crédito.

O presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins da Silva Júnior, apresentou propostas para modernizar a política agrícola e para fortalecer e ampliar a classe média rural brasileira, denominada classe C, com a instituição de um Plano Agrícola Plurianual. ;O produtor rural precise saber que todo ano terá a mesma regra do jogo. É essencial transformar essa política anual em plurianual;, disse.

Ele apresentou um perfil do setor agropecuário brasileiro, considerado um dos segmentos mais dinâmicos da economia do país. De acordo com Martins, dos 5,1 milhões de propriedades rurais, apenas 5,8% estão inseridas entre as classes de maior renda do país.

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