ARI CUNHA

ARI CUNHA

Desde 1960 Visto, lido e ouvido aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 15/12/2016 00:00


É pau, é pedra

Descontado o fato de a Guerra Fria, que opôs os Estados Unidos e a antiga União Soviética, aparecer como pano de fundo da Lei de Segurança Nacional (Lei n; 7.170/83), durante os 13 anos em que o ambidestro petismo esteve no comando do País, em nenhum momento seus integrantes cuidaram de revogar ou de dar nova maquiagem à antiga legislação, chamada de entulho do regime autoritário. A razão desse desleixo providencial em banir uma lei que, durante tanto tempo, aterrorizou os movimentos de oposição ao regime militar está, em parte, no fato de que ela, em suas filigranas, serve como espécie de contraforte aos ocupantes do Palácio do Planalto, não importando a coloração dos grupos no poder.

Não há dúvidas: caso se sentissem ameaçados por movimentos e ativistas de qualquer matiz, os governos Lula e Dilma não teriam o menor constrangimento em recorrer, de imediato, à LSN contra os insurgentes para enquadrá-los devidamente nos rigores frios da lei.

A história do Brasil está repleta de exemplos que demonstram que as leis adequadas e justas são somente aquelas que têm o poder de impor limites e punir aqueles que não contam com a retaguarda do Estado. O instituto do foro privilegiado para as altas autoridades do Estado é um desses casos. Uma boa imagem que serve para explicar as razões que levam à perpetuação da LSN vem da França revolucionária do século 18. Enquanto a guilhotina cuidava de decepar as cabeças dos opositores e antagonistas, era considerada um instrumento eficiente para eliminar discordâncias e impor o medo.

A questão com essa máquina de separar a cabeça do restante do corpo só veio a se tornar um problema, quando aqueles que a operavam tiveram a experiência forçada de sentir seus efeitos, inclusive seu próprio inventor. Com a LSN ocorre o mesmo. Enquanto ela for usada contra os que estão fora dos palácios, tudo bem. Conveniente ou não, a LSN volta a ser evocada por ocasião das manifestações violentas que tomaram conta da cidade durante a votação da PEC .

Nesta e nas outras manifestações ocorridas por estas bandas, em que o vandalismo foi a parte mais visível e em que os escombros das depredações foram os únicos resultados práticos, o governador Rollemberg, oriundo do que se acredita ser uma esquerda política, ficou , em todas as ocasiões, literalmente pisando em ovos. Ou cede às pressões dos políticos e antigos aliados e companheiros ou fica ao lado da lei, da ordem e dos brasilienses. Governar com um pé em cada barco é perigoso.

Conhecedores do vazio que passa a existir entre uma vacilação e outra dessas autoridades, os agitadores de sempre, açulados pelos movimentos de sempre, passam a ocupar estes vácuos da melhor forma possível: com paus , pedras , fogo e sangue.




A frase que não foi pronunciada

;Veloso. Esse nome sempre me traz problemas.;

Senador Renan Calheiros, rindo de si mesmo quando se referia ao presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Roberto Veloso (enquanto falava) e à Mônica Veloso, no pensamento.


Errata
; Entre os agraciados com a medalha militar na solenidade alusiva do Dia do Marinheiro no Ministério da Defesa estavam o vice-almirante Joése Andrade Bandeira Leandro, 40 anos de serviços prestados, suboficial Antonio Aparecido Pereira da Silva e o suboficial Marildo Ferreira Dias, 30 anos dedicados à Marinha. Na ocasião, foi lida a Ordem do Dia do comandante da Marinha, almirante de esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira. A cerimônia foi presidida pelo almirante de Esquadra Luiz Henrique Caroli, chefe de Logística do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

Lamentável
; Depois da violência ocorrida em loja de alta costura no Lago Sul, Brasília deixa o recado. Ser chique é ser educado!

Partida
; Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo de S. Paulo, foi levado por uma broncopneumonia. Era um homem virtuoso. Será sempre lembrado pela bondade e coragem.

Tributo a Paulinho da Viola
; O chorão é o homenageado pelo Clube do Choro nas quartas, quintas e sextas. Desde março, Paulinho teve em Brasília mais de 100 shows que trouxeram sucessos da carreira do cantor. As apresentações começam às 21h e os ingressos custam R$ 20. Chegar um pouco mais cedo é o ideal. Beliscar petiscos e bebericar antes do show é o charme do Clube.

Pesquisa
; A revista Transportation Research concluiu que há perigo, mesmo sem pegar no celular, em conversar enquanto se dirige. Os motoristas que fizeram o teste prestavam menos atenção na estrada ao pensar nas respostas durante a conversa.


; Foi em Richmond, na Califórnia, que uma ideia aparentemente estapafúrdia vingou com sucesso. Com 104 mil habitantes e um alto índice de violência, DeVone Boggan resolveu apresentar um plano à prefeitura da cidade. Os bandidos mais violentos receberiam um pró-labore se conseguissem se manter dentro da lei por alguns meses. Assim receberiam capacitação e toda estrutura necessárias para continuar a viver por conta própria, trabalhando, quando a remuneração fosse cortada. Com a situação financeira estabilizada, não era necessário voltar ao tráfico. Deu certo.

Consumidor
; Uma tese interessante levantada por um leitor. Existe mistério maior do que uma concessionária cobrar pelo tapete do carro?


História de Brasília

Enquanto isso, os políticos não deixam o cargo de vista e voltam, agora, a sugerir o sr. Fadul, que tem a virtude de ser do mesmo partido do presidente João Goulart, de Mato Grosso. (Publicado em 20/9/1961)





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