Dia para contabilizar o vandalismo

Dia para contabilizar o vandalismo

Pela segunda vez em duas semanas, manifestantes destroem bens públicos em protesto contra a votação da PEC dos Gastos Públicos, no Senado. Oito PMs tiveram lesões na cabeça, e 88 pessoas foram detidas durante a manifestação

Douglas Carvalho Especial para o Correio
postado em 15/12/2016 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press

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(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )



O confronto travado entre policiais e manifestantes na Esplanada dos Ministérios após a aprovação no Senado da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n; 55, que limita os gastos do governo federal pelos próximos 20 anos, causou diversos danos. Oito militares tiveram ferimentos na cabeça. Além disso, ônibus e contêineres foram incendiados. Apesar disso, a secretária de Segurança Pública e da Paz Social, Márcia de Alencar, considerou a ação da PM e do Corpo de Bombeiros nos protestos de terça-feira ;um sucesso;.


Segundo informações do comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Hamilton Santos, dois PMs foram atendidos com suspeita de afundamento de crânio e, em seguida, encaminhados para o Hospital de Base do DF com mais quatro militares feridos. O oficial acrescentou que não houve registro de manifestante machucado. Ele integrou uma coletiva de imprensa concedida ontem e formada também pela secretária Márcia; o comandante-geral da PM, coronel Marco Antônio Nunes; e o diretor-geral da Polícia Civil, Eric Seba.

;Quem não se submeteu às linhas de revista estava com o intuito de depredar, vandalizar e agredir de forma premeditada;, analisa o coronel Nunes. O comandante da PM detalhou que cerca de 3 mil pessoas participaram do protesto, das quais apenas mil passaram pelas linhas de revista. O evento começou com 600 militares escalados e terminou com 2,5 mil. Dos manifestantes que driblaram o bloqueio, a polícia deteve 88, cinco deles adolescentes ; um deles mora em Curitiba, segundo Eric Seba, e ateou fogo a um ônibus da TCB.

Com o grupo, detido em maior parte no Setor Comercial Sul e no início da W3 Norte, foram encontrados escudos improvisados, pedaços de madeira com pregos, facas, combustível, máscaras de oxigênio, bolas de gude e pedras. Do total de apreendidos, segundo Eric Seba, 42 vieram de Santa Catarina, Paraná, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo. Os prejuízos causados pelo conflito vão além. O Museu da República ficou pichado, enquanto placas de localização, paradas de ônibus e prédios de bancos e uma concessionária no início da Asa Norte foram depredados.

Apesar do cenário de destruição, a secretária de Segurança Pública avaliou a ação das forças militares como bem-sucedida. ;Os bombeiros atuaram no tempo de resposta recomendado nos atendimentos prestados, a Polícia Militar obedeceu aos protocolos estabelecidos, e a Polícia Civil tratará os casos com a robustez necessária para que a Justiça possa responsabilizar cada um dos detidos por seus atos;, analisa Márcia. Ela ressalta que a capital federal tem sido palco de grandes manifestações, mas que os confrontos devem ser evitados.

Confusão
Em 30 de novembro, em outro ato contra a PEC 55, manifestantes depredaram prédios públicos e destruíram bandeiras, placas de sinalização, paradas de ônibus e lixeiras. O maior estrago ocorreu no Ministério da Educação, invadido por um grupo que danificou até caixas eletrônicos. A Catedral e o Museu da República também sofreram danos.


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