Brasileiros são retidos. Fronteira segue fechada

Brasileiros são retidos. Fronteira segue fechada

Fechamento de fronteiras, determinado pelo governo chavista para %u201Ccombater o contrabando%u201D, impede retorno de estrangeiros para Brasil e Colômbia. Medida foi prorrogada até 2 de janeiro

postado em 19/12/2016 00:00
 (foto: George Castellanos /AFP)
(foto: George Castellanos /AFP)
Um grupo de cerca de 50 brasileiros estava ontem retido do lado venezuelano da fronteira, depois que o governo do país vizinho decidiu prorrogar até 2 de janeiro a decisão, anunciada uma semana antes, de fechar as passagens com o Brasil e a Colômbia, como parte de um pacote destinado a %u201Ccombater o contrabando%u201D, segundo o presidente Nicolás Maduro. Também foi prorrogado até a mesma data o prazo para que os venezuelanos troquem nos bancos as notas de 100 bolívares %u2014 as de maior valor no sistema monetário local. O anúncio original, no domingo passado, provocou corrida às agências e protestos em várias cidades, em especial nas regiões fronteiriças. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), os brasileiros retidos na Venezuela pediram ajuda para retornar e estavam sendo atendidos pela embaixada em Caracas e pelo vice- consulado em Santa Elena de Uairén %u2014 único ponto de passagem legal entre o território venezuelano e o estado brasileiro de Roraima. Adotado pela primeira vez na fronteira com o Brasil, o fechamento das passagens causou ontem longas filas, protestos e atritos entre civis e as forças de segurança na ponte que liga as cidades de Urena, na Venezuela, e Cúcuta, na Colômbia. O trajeto é feito regularmente pelos venezuelanos para comprar alimentos, medicamentos e outros bens escassos no país. Arrocho monetário Uma semana depois de ter determinado que fossem retiradas de circulação as notas de 100 bolívares, Maduro cedeu aos protestos e adiou a entrada da medida em vigor. A decisão, que provocou tumulto e protestos em várias cidades do país, foi justificada pelo governo chavista em nome de combater o contrabando e a conter a valorização do dólar. O presidente complementou a decisão com o fechamento das fronteiras com o Brasil e a Colômbia, principal rota de comércio externo %u2014 legal e ilegal. %u201CPodem seguir tranquilamente utilizando a nota de 100 para suas compras e suas atividades%u201D, disse o presidente, em pronunciamento no dia em que o chavismo lembrou o aniversário da morte do patriarca da independência, Simón Bolívar. %u201CHá cédulas nos bancos públicos e privados, nos caixas eletrônicos e no comércio%u201D, garantiu. A nota de maior valor, cotada a US$ 0,15, corresponde a 48% do meio circulante no país, segundo o Banco Central da Venezuela (BCV). Inicialmente, a população tinha 72 horas para trocar as cédulas, mas o prazo foi posteriormente estendido para 10 dias, depois reduzidos para cinco. O medo de ficar sem dinheiro vivo às vésperas do Natal causou desespero entre os venezuelanos, que sofrem com a falta de alimentos, remédios, produtos de higiene e outros gêneros de primeira necessidade, sem falar na inflação anual de três dígitos. Protestos e saques a lojas foram registrados em todo o país. O presidente atribuiu os incidentes a uma %u201Csabotagem internacional%u201D. Maduro afirmou que quatro aviões com as novas cédulas não chegaram a tempo para que a medida entrasse em vigor na quinta-feira, como determinado inicialmente. Nesse cenário, ele anunciou a reprogramação da entrada em vigor do novo padrão monetário, à medida que as cédulas novas cheguem à Venezuela, vindas de um país não revelado. %u201CVamos anunciar no fim de dezembro quantas notas já temos aqui%u201D, declarou o presidente, que também ordenou a distribuição das novas cédulas de 10, 50 e 100 bolívares para %u201Creforçar a liquidez e o funcionamento comercial, sobretudo nesses dias%u201D, em referência às festas de fim de ano. Maduro aponta a existência de %u201Cmáfias de contrabando e tráfico de dinheiro%u201D que operam em grande parte da fronteira com a Colômbia %u2014 e também com o Brasil %u2014 e monopolizariam as notas de 100. Por isso, em complemento da remoção das cédulas, anunciou o fechamento de fronteiras, também prorrogado até 2 de janeiro. %u201CNão apenas queimei as mãos das máfias, queimei as mãos dos golpistas%u201D, declarou o presidente, ao afirmar que banqueiros venezuelanos e dirigentes políticos pretendiam dar um %u201Cgolpe econômico%u201D, provocando o caos com a falta de cédulas de 100. 48% Montante do valor representado pelas notas de 100 bolívares no meio circuilante da Venezuela

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