Uma dor lancinante

Uma dor lancinante

CIDA BARBOSA cidabarbosa.df@dabr.com.br
postado em 19/12/2016 00:00
Cinco dias antes de completar 2 anos, João Rafael Santos Kovalski desapareceu, enquanto brincava no quintal de casa, em Adrianópolis (PR). Era 24 de agosto de 2013. O caso teve repercussão nacional e mobilização nas redes sociais. Ganhou perfis no Facebook. O principal deles é Todos juntos por João Rafael Kovalski. Na página, há um vídeo com o apelo da mãe do bebê, Lorena Cristina. Ela suplica que quem pegou o filho o deixe em algum lugar público, que possa ser encontrado com facilidade. %u201CEu não quero prejudicar ninguém, não quero saber quem foi, só quero saber dele. Ele tem uma irmã (gêmea) que está precisando do carinho dele%u201D, implora, aos prantos. %u201CSe eu fiz alguma coisa para essa pessoa, eu peço perdão. Eu esperei nove meses por ele, com carinho e amor, para ver um estranho me tirá-lo assim! E, de repente, nunca mais vou vê-lo.%u201D Impossível não chorar também diante do desespero dessa mulher, dessa família. Infelizmente, a dor deles se repete em milhares de lares pelo Brasil. Fala-se em 200 mil pessoas desaparecidas no país a cada ano;40 mil delas, crianças. Faltam números oficiais, porém. O governo não tem uma base única de dados. O levantamento cabe à Secretaria de Segurança Pública de cada estado. No DF, houve 3.250 desaparecimentos em 2015 %u2014 ou nove casos diários. Até janeiro, 914 não tinham sido encontrados. A angústia da família aumenta por não saber o que aconteceu com a criança. Ela pode ter sido levada por quadrilhas para adoção ilegal, trabalho escravo, prostituição e até tráfico de órgãos. Um ser indefesonas mãos de desumanos. As forças de segurança alertam os pais para ficarem sempre atentos, principalmente em épocas como esta, de festas e férias, em que há aglomeração de pessoas em locais públicos. E bastam mesmo alguns segundos de descuido para o pesadelo acontecer. O que dizer, porém, para as Lorenas deste país, que não perderam seus filhos por uma desatenção momentânea; eles foram sequestrados. No caso de Kovalski, na própria casa. %u201CPeço aos pais que não confiem em ninguém, nem em parentes. Eu confiava em todo mundo, e, hoje, onde está meu filho? Eu não sei onde está meu filho%u201D, chora a mãe, diante de sua impotência. Não há palavras para aplacar tamanho sofrimento, as noites e os dias passados pensando se o filho está com frio, com fome, com sede, doente, sendo abusado. Não há o que fazer para preencher o vazio angustiante, sem respostas. Mas, assim como as lágrimas desses pais parecem intermináveis, há a esperança perene de um dia terem os filhos novamente nos braços.

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