Educar para proteger em tempos de crise

Educar para proteger em tempos de crise

» MARCIO SERÔA DE ARAÚJO CORIOLANO Economista e presidente da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg)
postado em 19/12/2016 00:00
A mutualização dos riscos é de necessidade evidente, sobretudo em um cenário de restrições macroeconômicas, como o atualmente enfrentado pelo Brasil. Sua importância se evidencia em situações como o encerramento de uma planta industrial que, por não ter outras solidárias no infortúnio, afeta negativamente a produção agregada, ou diante da ausência de cobertura privada da saúde de funcionários a qual pressiona a já insuficiente capacidade pública. O cenário, embora de inédita complexidade, sinaliza que a população brasileira enfrenta momentos de dificuldades que a levan a um escrutínio crítico de possibilidades de proteção, em face de perda relativa de renda e emprego. As empresas, igualmente, agem de modo a adaptar suas escolhas a um orçamento limitado. E o governo quer exercitar políticas públicas seletivas que respondam ao interesse maior da nação. Embora inserida histórica e mundialmente no segmento econômico dos serviços financeiros, os fundamentos, conceitos, estrutura funcional, formas de acesso da população, produtos, distribuição e bases de sustentação da atividade seguradora , diferem muito daquelas do setor bancário e do mercado de capitais. Há muitos anos, as entidades representativas do setor segurador vêm desenvolvendo projetos, programas e ações para a formação e capacitação de recursos humanos envolvidos nas atividades de prevenção e de proteção de riscos que afetam o patrimônio, o futuro, a vida e a saúde dos cidadãos brasileiros. É preciso reconhecer que foram obtidos avanços extraordinários nesse campo da educação, os quais dizem respeito a milhões de brasileiros, direta ou indiretamente. Afinal, o seguro é uma matéria complexa, proporcional à sua importância para a preservação do bem-estar e da riqueza das pessoas, famílias e empresas. Essas diferenças estruturais que alcançam a vida rotineira de milhares de companhias seguradoras, resseguradoras, corretoras de seguros, profissionais que lidam com a extensa cadeia de valor da atividade, sem contar com os gestores e funcionários de órgãos reguladores, foi quem inspirou, alavancou e consolidou a inestimável contribuição da hoje conhecida Escola Nacional de Seguros %u2013 a Funenseg. A Funenseg, atualmente um paradigma latino-americano de excelência na educação e na pesquisa e divulgação de material técnico e científico, é um exemplo bem-sucedido da iniciativa, consciência e proatividade cidadã de setores privados, cuja contribuição global para a sociedade ultrapassa R$ 360 bilhões anuais, sem contar os ativos que garantem os riscos assumidos, devendo alcançar cifra próxima a R$ 1 trilhão ao fim deste ano. Ao longo da história de mais de 50 anos, desde que foi inaugurado o marco normativo seminal do seguro no Brasil, outras iniciativas foram, e vêm sendo, empreendidas na área da educação. Muitas delas, singulares e permanentes, construídas pelas próprias sociedades seguradoras %u2013 no sentido amplo, incluindo previdência privada, saúde suplementar e capitalização %u2013 e mais tantas desenvolvidas pela CNseg, Fenacor, sindicatos do setor, sem contar com a sinergia obtida pela cooperação com universidades, escolas, associações setoriais e organismos internacionais com foco no seguro. O objeto de tamanha mobilização sempre foi um só: o consumidor do seguro, o cidadão e as empresas que buscam a melhor proteção possível contra os riscos de todas as naturezas e que convivem com o ser humano desde o seu nascimento. Agora, a CNseg amplia sua contribuição para a missão educacional abrangendo o setor securitário. Trata-se do Programa de Educação em Seguros. Inspirado em outras iniciativas exitosas, como o da Insurance Europe, congregação de órgãos seguradores europeus, pretende-se um programa pragmático e múltiplo de ações para atingir, além dos cidadãos, os órgãos de defesa dos consumidores, os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, buscando permitir a sua mais ampla compreensão de matérias que dizem respeito à sociedade como um todo. O programa nasce como vem avançando a sociedade moderna. Envolvendo múltiplos públicos e canais de interlocução. Estabelecendo múltiplas plataformas de diálogo. São cartilhas, seminários, meios digitais, interatividade nas ruas. E sua progressão virá a partir da resposta da sociedade a esses estímulos. São dois os nossos compromissos educacionais: 1) aproximar os cidadãos que querem se proteger de riscos da melhor linguagem e informação transparente que permita a sua melhor escolha; e 2) levar para as instâncias que decidem políticas públicas todos os fundamentos e esclarecimentos que os conduzam a maior entendimento da missão do seguro. Com esse cenário, o setor segurador tem muito que aportar para a tão esperada retomada do desenvolvimento econômico do país.

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