Acordo na ONU sobre Aleppo

Acordo na ONU sobre Aleppo

postado em 19/12/2016 00:00
 (foto: George Ourfalian/AFP
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(foto: George Ourfalian/AFP )
Um acordo fechado ontem entre os embaixadores dos 15 países que integram o Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas %u2014 incluídos os cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China), que têm poder de veto %u2014 deve permitir hoje a aprovação de uma resolução que determina o envio de observadores da organização para Aleppo, na Síria. A missão internacional terá o propósito de monitorar a saída de civis da cidade, a segunda mais importante do país. Com 40 mil pessoas retidas, entre elas combatentes rebeldes que abandonam suas posições para forças do governo, a retirada foi retomada na noite de ontem, depois de ter sido suspensa durante o dia, depois que facções contrárias ao regime incendiaram ônibus que transportariam moradores de duas cidades cercadas por elas. O texto que será levado ao CS concilia um projeto apresentado pela França com as reservas feitas pela Rússia, principal aliada do ditador sírio, Bashar Al-Assad. De acordo com o embaixador francês na ONU, François Delattre, a nova versão se baseia na proposta original de Paris, que Moscou ameaçava vetar. %u201CÉ um bom texto%u201D, confirmou o representante russo, Vitali Churkin. A embaixadora americana, Samantha Power, assinalou que o projeto negociado ontem %u201Ccontém todos os elementos essenciais que permitem a supervisão da ONU%u201D no processo de retirada de combatentes e civis de Aleppo e deve ser aprovado %u201Cem votação unânime%u201D. Impasse O ataque de grupos armados a um comboio de 20 ônibus enviados para transportar civis das cidades de Fua e Kafraya provocou a suspensão da retirada também em Aleppo, segundo informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), baseado em Londres. As duas localidades têm população muçulmana xiita, minoritária no país e aliada ao regime de Assad, e estão cercadas por forças rebeldes na província de Idlib, ao sul de Aleppo. O diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, relatou que os ônibus foram incendiados quando se aproximavam das cidades, e ao menos um dos motoristas foi morto. Informações desencontradas davam conta de que o ataque teria sido promovido pelo grupo jihadista Jabhat Fateh Al-Sham, antiga seção local da rede terrorista Al-Qaeda. Outras versões mencionavam um confronto entre facções rebeldes rivais como a origem do incidente com os ônibus. A remoção dos retidos em Aleppo foi possibilitada por um cessar-fogo negociado entre as forças pró-regime e os grupos rebeldes, tendo como contrapartida a retirada em Fua e Kafraya. De acordo com a ONU, restam em Aleppo 40 mil civis e um total de combatentes estimado entre 1,5 mil e 5 mil. Ataque mata uma turista canadense na Jordânia Uma visitante canadense está entre as 10 vítimas de uma sequência de ataques de um comando terrorista nas imediações de Karak, atração turística no sul da Jordânia, ao norte da cidadela histórica de Petra. Homens armados abriram fogo contra uma delegacia e viaturas oficiais, matando também sete policiais e dois civis jordanianos. A cidade, que abriga ruínas do século 12, é um dos principais sítios arqueológicos da região e fica 120km ao sul da capital, Amã. De acordo com um comunicado dos serviços de segurança, os tiroteios começaram quando uma patrulha entrou em uma casa, atendendo a um alerta de incêndio. %u201CAssim que a equipe chegou ao local, homens não identificados que estavam na casa abriram fogo, ferindo um policial, e fugiram em um carro%u201D, informou a agência oficial Petra. %u201CPouco depois, homens armados abriram fogo contra outra patrulha.%u201D Quase simultaneamente, um comando entrincheirado na cidadela atirou contra a delegacia de Karak, ferindo policiais e pedestres, que foram levados para o hospital, descreve o comunicado oficial. Uma fonte das forças de segurança indicou que algumas pessoas ficaram retidas nos andares mais baixos da fortaleza histórica quando homens armados chegaram ao local para se refugiar. O funcionário desmentiu, porém, que tenha havido tomada de reféns. Cerco O premiê Hani Muliq, que discursava no parlamento no momento em que o incidente se desenvolvia, afirmou que %u201Cforças especiais e policiais cercavam 10 homens armados entrincheirados na cidadela de Karak. Até a noite de ontem, nenhuma organização tinha reivindicado a autoria dos ataques. A Jordânia integra a coalizão internacional que bombardeia o Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque, desde 2014. O reino executa bombardeios aéreos contra os extremistas e abriga em seu território tropas da coalizão, liderada pelos Estados Unidos. Em junho, um atentado suicida reivindicado pelo EI matou sete guardas jordanianos na fronteira com a Síria. Os ataques de ontem coincidem com os esforços da Jordânia para dar impulso ao turismo, setor-chave de sua economia. Segunda fonte de receita do país, atrás dos envios de remessas dos expatriados, o turismo contribuiu em 2015 para 14% do PIB. Os visitantes abandonaram o país devido aos distúrbios relacionados às rebeliões do mundo árabe, em 2011, e aos conflitos nos países vizinhos.

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