Japão tem abelha-drone

Japão tem abelha-drone

postado em 10/02/2017 00:00
 (foto: Dr. Eijiro Miyako/Divulgação)
(foto: Dr. Eijiro Miyako/Divulgação)


A ameaça de extinção das abelhas tem levado pesquisadores a pensar em alternativas para um importante papel desempenhado por elas: o transporte de pólen. Cientistas do Japão desenvolveram polinizadores artificiais usando drones, crina de cavalo e um gel iônico. A criação, que parece trazer para a vida real o roteiro de um dos episódios do seriado britânico Black Mirror, não tem a intenção de substituir os pequenos insetos, ressaltam os cientistas, mas de contribuir para a agricultura.

Publicada na revista científica Chem, a pesquisa surgiu por meio de uma experiência que deu errado em 2007, quando os autores trabalhavam na produção de líquidos que poderiam ser usados como condutores elétricos. Uma das tentativas gerou um gel altamente pegajoso, achados, anos depois, durante uma limpeza de laboratório.;Ficamos surpresos que, após oito anos, o gel iônico não tinha se degradado e ainda era muito viscoso. Os géis convencionais são feitos principalmente de água e não podem ser usados por muito tempo. Então, decidimos usar esse material para pesquisa;, conta Eijiro Miyako, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada (AIST) e autor do estudo.

Nos testes, os cientistas aplicaram o gel em formigas, que foram colocadas em caixas de tulipas. Comparadas com as que não tinham o material aplicado, as com o gel conseguiram capturar mais pólen. A mesma análise foi feita com moscas, também rendendo resultados positivos. Após esses testes, os cientistas partiram em busca de uma máquina que pudesse voar em meio aos campos. Utilizaram um drone com quatro hélices e usaram crina de cavalo para imitar o exterior da abelha, já que a superfície lisa do aparelho voador não suportaria o gel sozinha.

Em testes feitos com lírios, houve o transporte de pólen de forma semelhante à feita pelas abelhas. ;As descobertas, que terão aplicações para a agricultura e a robótica, entre outras áreas, podem levar ao desenvolvimento de polinizadores artificiais e ajudar a combater os problemas causados pelo declínio das populações de abelhas. Acreditamos que polinizadores robóticos poderiam ser treinados para aprender caminhos de polinização usando sistemas de posicionamento global e inteligência artificial;, ressalta Miyako. (VS)

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