Inquérito contra quarteto do PMDB

Inquérito contra quarteto do PMDB

Fachin autoriza a abertura de investigação contra Renan Calheiros, Romero Jucá, José Sarney e o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado por obstrução da Lava-Jato

postado em 10/02/2017 00:00
 (foto: Andressa Anholete/AFP)
(foto: Andressa Anholete/AFP)


O ministro Luiz Edson Fachin abriu o primeiro inquérito desde que se tornou o novo relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal. Ele atendeu o pedido feito na segunda-feira pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e autorizou abertura da investigação contra os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR), o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) e o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado por tentativa de obstrução da apuração do petrolão. Todos os políticos negam ter cometido crime.

Janot pediu a investigação do quarteto por entender que houve embaraço à investigação de organização criminosa em razão dos fatos revelados na delação premiada de Sérgio Machado, que gravou conversas com os políticos. Numa das gravações, Jucá sugere um ;pacto; para barrar a Lava-Jato. Com a abertura do inquérito desta quinta-feira, Renan Calheiros responde agora a uma ação penal e a 12 inquéritos no Supremo, dos quais nove da Lava-Jato. Jucá é investigado em oito inquéritos no Supremo, dos quais três da Lava-Jato. Sérgio Machado agora é investigado em dois inquéritos da Lava-Jato e Sarney é alvo de uma apuração.

Em nota, Renan, que agora é o líder do PMDB no Senado, reafirma que não fez nenhum ato para dificultar ou embaraçar qualquer investigação, já que é um ;defensor; da independência entre os poderes. ;O inquérito comprovará os argumentos do senador. Sem dúvida, será arquivado por absoluta inconsistência;, afirmou. Já o senador Romero Jucá nega que tenha tentado obstruir qualquer operação do Ministério Público e diz que a investigação e a quebra de sigilo do processo mostrarão a verdade dos fatos. Sarney e Sérgio Machado não se pronunciaram até o fechamento desta edição.

Sigilos
O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Operação Lava-Jato no Ministério Público Federal (MPF), afirmou que, ;talvez;, a abertura do sigilo das delações de executivos e ex-executivos da Odebrecht seja melhor. Ele disse que o fim do sigilo não é o ideal para as investigações, porque possibilita a destruição de provas, mas, mesmo assim, a abertura é melhor para que a sociedade saiba o que foi citado. ;Talvez seja até melhor levantar o sigilo para todos nós sabermos quais são os fatos revelados.;

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