O risco do tempo-Temer

O risco do tempo-Temer

PAULO DE TARSO LYRA paulodetarso.df@dabr.com.br
postado em 10/02/2017 00:00
Meio que desanimado, um tanto quanto impaciente, um aliado próximo do presidente Michel Temer admitiu que o titular do Planalto vive em um tempo próprio em relação ao mundo político da Esplanada: o tempo-Temer. Enquanto todos à sua volta se desesperam em busca de respostas ou saídas para crises que surgem, o presidente adota a máxima interioriana de que ;as abóboras vão se acomodando com o andar da carroça;.

Pode até ser verdade. No caso, inclusive, algumas abóboras perdidas tendem a deslizar da carroça e se espatifar pela estrada, fazendo a alegria de um, ou outro, animal perdido e faminto. Temer conduz o governo tentando equilibrar as abóboras que se espremem atrás de si. Ainda espera que tudo se resolva após um período de decantação.

Pouco importa que o Espírito Santo tenha passado dos 100 mortos. Que os presídios tenham centenas de decapitados. Que os policiais militares do Rio de Janeiro marquem uma paralisação para hoje. Que sindicatos de policiais invadam o Congresso Nacional e sejam recebidos com gás lacrimogêneo. O Ministério da Justiça ficará sob o comando de um interino até a sabatina de Alexandre de Moraes.

A Câmara instalou ontem as comissões das reformas previdenciária e trabalhista. A partir da próxima semana, podem começar as votações na Casa e ninguém sabe dizer quem é o líder do governo. André Moura (PSC-SE) é o atual, mas vem sendo fritado há duas semanas pelo presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), que prefere Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). ;Sou um soldado do presidente Temer. Ele, com certeza, saberá resolver esse assunto no momento certo;, afirmou Moura ao Correio.

Antes de ser empossado como presidente efetivo, Temer sempre cultivou a imagem de habilidoso político. Mas agora Temer não é mais presidente do PMDB. É presidente de um país em estado de pré-convulsão, com 12 milhões de desempregados e um racha político ainda decorrente do impeachment da ex-presidente Dilma. A estrada está muito mais sinuosa e esburacada. Aliados de Temer torcem para que sobrem mais abóboras dentro do que fora da carroça.

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