O que é que a Nova Zelândia tem?

O que é que a Nova Zelândia tem?

» RALPH HAYS Cônsul-geral da Nova Zelândia em São Paulo e o comissário de Comércio para o Brasil, responsável pela gestão da New Zealand Trade & Enterprise no país
postado em 10/02/2017 00:00

Em janeiro deste ano, a Nova Zelândia foi eleita pela organização não governamental (ONG) Transparência Internacional como o país com menor índice de percepção de corrupção no setor público. Tal reconhecimento soma-se a diversos outros nos quais já vinha figurando entre os primeiros colocados, como os recém-conquistados títulos de nação mais próspera e a melhor para se fazer negócios. Esse momento singular tem despertado a atenção e a curiosidade em torno das possíveis razões que explicam o tão bom desempenho. Mas, afinal, o que é que a Nova Zelândia tem?

A 13 horas de voo, partindo de Buenos Aires, a Nova Zelândia é um país formado por duas ilhas localizadas no sul do Pacífico. Geograficamente isolado, possui uma população relativamente pequena, de aproximadamente 4,7 milhões de habitantes, o que torna sua economia fortemente dependente de exportações. Entretanto, encontrar o caminho para alcançar nações distantes e dar vazão à produção nacional, em especial a agrícola, exigia mais que a inovação nata da terra maori.

Pode-se afirmar que a trajetória de sucesso neozelandesa é marcada pela superação. Até o início dos anos 1970, a Nova Zelândia mantinha acordos bilaterais com a Inglaterra. Nessa época, os ingleses concediam inúmeros subsídios e vantagens às suas colônias, o que vinha garantindo relativa prosperidade nas relações comerciais. A partir da adesão da Inglaterra à União Europeia, contudo, tal cenário foi radicalmente alterado. A decisão britânica pelo bloco europeu gerou impactos substancialmente negativos para a economia maori nos anos seguintes, em especial, no setor de agronegócios.

Na década de 1980, o que parecia o ápice de uma crise se tornou oportunidade. Em linha com o rompimento do protecionismo britânico, uma reforma proposta pelo governo neozelandês contemplou uma série de medidas, entre elas a extinção da concessão de subsídios a produtores rurais. A decisão inusitada impulsionou fazendeiros a rever seus processos, cortar custos e melhorar sua eficiência, medidas que, anos mais tarde, contribuíram para que a Nova Zelândia se tornasse uma potência mundial em agronegócios. Hoje, o país exporta mais de 90% de sua produção nesse setor.

Superar desafios naturais e impulsionar a oferta de produtos e serviços juntos ao mercado externo demandava ambiente propício para que investidores e empreendedores pudessem prosperar. Como parte das medidas econômicas para estimular o comércio exterior, há algumas décadas, o governo neozelandês decidiu investir em diversos aspectos, da educação à pesquisa e ao desenvolvimento, que melhorassem o desempenho social da população, apostando que tais iniciativas contribuíriam na melhoria do ambiente de negócios. Assim, o país da Oceania foi ganhando espaço nos mais importantes índices globais, até alcançar os primeiros lugares ao lado de nações asiáticas e europeias.

Em maio de 2016, a Nova Zelândia anunciou o aumento de seus investimentos anuais em diversas áreas, inclusive saúde (NZD 2,2 bilhões) e educação (NZD 1,4 bilhão), além da destinação de NZD 761 milhões para assuntos de inovação e outros NZD 300 milhões para redução da criminalidade, que registrou queda de 16% nos últimos cinco anos. Em seu mais recente relatório sobre força de trabalho, publicado em novembro último, o país celebrou a queda de 4,9% em suas taxas de desemprego, menor índice desde dezembro de 2008. Nos últimos três anos em especial, o país insular criou 200 mil postos de trabalho, sendo mais 170 mil esperados até 2020. Hoje, o povo neozelandês se beneficia de um ambiente que favorece a criação de soluções com foco no aumento da eficiência e da produtividade não apenas em agronegócios, como também em mineração, biotecnologia, indústria naval, de aviação, entre outros setores da economia.

O reconhecimento de país que mais luta contra a corrupção conferido à Nova Zelândia pode ser atribuído a um histórico de iniciativas adotadas para proteção social e valorização do comércio internacional justo e livre, bem como dos esforços significativos em direção à simplificação de seus processos burocráticos. Esta é mais uma prova de que temos feito as escolhas certas, o que nos possibilita compartilhar com o mundo o melhor que a Nova Zelândia tem.

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