Mal-estar com aliados

Mal-estar com aliados

» GABRIELA FREIRE VALENTE
postado em 10/02/2017 00:00
 (foto: 
Alex Wong/AFP
)
(foto: Alex Wong/AFP )


Depois de Donald Trump despertar a reação de diversos setores da política americana, com uma série de decretos assinados nas primeiras semanas de governo, o presidente entrou em conflito com membros de sua própria base de apoio no Congresso. Em uma sequência de mensagens raivosas no Twitter, o chefe de Estado disparou críticas aos legisladores republicanos Richard Blumenthal e John McCain. Horas depois, um grupo de nove senadores do partido governista emitiu carta em que cobram do presidente uma postura mais firme ante a Rússia.

Com um início de governo turbulento, as tensões entre Trump e aliados no Congresso pouco contribuem para a estabilidade da nova gestão, que precisa de apoio do Legislativo para colocar em prática as suas propostas. Apesar de o mandatário ter disputado a Presidência pelo Partido Republicano e de contar com o apoio de lideranças do grupo no Capitólio para avançar com a plataforma de governo, a relação entre o magnata do setor imobiliário e a legenda não se trata de uma história de amor.

Durante a campanha, um número considerável de membros do partido foi resistente à candidatura do empresário e, mesmo após a vitória sobre a rival Hilllary Clinton, nem todas as questões entre Trump e a base aliada foram superadas. Segundo o jornal norte-americano The Hill, o tom dos congressistas passou a ser mais crítico depois da polêmica em torno da emissão da ordem executiva para barrar a entrada de imigrantes de sete países de maioria muçulmana ; Irã, Iraque, Síria, Líbia, Sudão, Somália e Iêmen ; e de comentários do presidente sobre a atuação do Judiciário.

Por coincidência ou não, a questão estava no centro dos ataques proferidos pelo mandatário contra o senador Blumenthal. Depois de o legislador revelar à rede de televisão CNN que o indicado pela Casa Branca para a Suprema Corte, Neil Gorsuch, considerou ;desmoralizantes; os comentários do presidente, Trump acusou o republicano de mentir. ;Senador Blumenthal, que nunca lutou no Vietnã quando ele disse por anos que o tinha feito (grande mentira), agora deturpa o que o juiz Gorsuch disse a ele?;, atacou.

O presidente aproveitou a deixa para criticar Chris Cuomo, jornalista da CNN, e logo se voltou para o senador John McCain, um conhecido desafeto de Trump. ;McCain não deveria falar sobre o sucesso ou a falha de uma missão na mídia. Apenas encoraja o inimigo;, escreveu, em referência a comentários do senador sobre o ;fracasso; da intervenção americana no Iêmen. ;Ele tem perdido tanto tempo que não sabe mais vencer. Apenas olhe para a bagunça que nosso país está, atolado em conflitos em todo o lugar.; Por meio de nota, o secretário de imprensa do senador informou que McCain ;continuará a desempenhar os seus deveres de supervisão como presidente da Comissão de Serviços Armados; do Senado.


Cartas

O texto elaborado pelo gabinete do senador Cory Gardner e endossado por outros oito membros da Casa pede que o governo condene as ações da Rússia na Ucrânia e defende a manutenção das sanções até que Moscou entregue o controle sobre a Crimeia, região ucraniana anexada ao território russo em 2014. ;O mais importante é que recomendamos que se transmita a Moscou que os valores da democracia, dos direitos humanos, da transparência e da responsabilidade são fundamentais para a política externa dos EUA, que esses valores não são negociáveis;, exorta.

Na ala opositora, 10 senadores democratas redigiram carta alertando que o programa do governo de combate ao terrorismo se concentra apenas na violência do extremismo islâmico e ignora a ameaça de grupos como os que defendem a supremacia branca no país. ;Sinalizar uma religião como foco dos esforços, em vez do extremismo violento de forma mais ampla, prejudica gravemente nossa credibilidade com aliados e com parceiros estrangeiros;, considera o texto dos democratas.

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